quinta-feira, 24 de março de 2016

QUINTA FEMININA: Toda mulher é meio Leila Diniz?

A bombástica entrevista, onde os palavrões
foram substituídos por símbolos. Depois
desta matéria, o Decreto Leila Diniz
instituiu censura prévia à imprensa
      Toda mulher quer ser amada. Toda mulher quer ser feliz. Toda mulher se faz de coitada. Toda mulher é meio Leila Diniz. Rita Lee quando cantou o refrão da música Todas as Mulheres do Mundo, em 1993, usou dos versos para falar da mulher que, morta vinte anos antes, acreditava em uma liberdade num sentido mais amplo, onde todos tinham o direito de viver como quisessem. Para ela, isso incluía não apenas a liberdade de chamar um homem para a cama, ter sete namorados por semana, escolher o pai de sua filha sem precisar casar com ele e ir à praia grávida e de biquíni. Assim como ter a liberdade de casar virgem, ser mulher de um homem só e fazer tudo segundo os velhos figurinos, se fosse isso o que a moça preferisse. Esta foi Leila Diniz. E era assim que ela pensava e foi o que aconteceu. E Leila deixou-se julgar por um país inteiro para que ninguém mais julgasse ninguém.


Recebeu da atriz Virgínia Lane o título de Rainha
das Vedetes, quando reabilitou o Teatro de
Revista, e teve uma curta e bem sucedida carreira
de vedete
      Mas por que Leila Diniz tornou-se um mito? Porque para ela seu modo de viver nunca foi um segredo. E sua liberdade, uma opção de vida. Leila dizia e fazia o que muitos tinham o desejo de fazer e dizer. Chocou o País quando disse: Transo de manhã, de tarde e de noite. Ela é apontada como uma precursora do feminismo no Brasil, ao afirmar publicamente seus comportamentos e idéias a respeito da liberdade sexual, ao recusar os modelos tradicionais de casamento e de família e ao contestar a lógica da dominação masculina, e passou a personificar as radicais transformações da condição feminina - e também masculina - que ocorreram no Brasil. Apesar da discordância de algumas feministas por acreditarem que seu feminismo era estar a serviço dos homens.


Leila Diniz escandalizou um Brasil
conservador ao exibir sua barriga de
biquini
       Leila Roque Diniz nasceu no município de Niterói, Rio de Janeiro, no dia 25 de março de 1945. Formou-se em Magistério e trabalhou como professora no jardim da infância. Aos dezessete anos, conheceu seu primeiro marido, o cineasta Domingos de Oliveira, com quem se casou. Três anos depois, já separada, veio a oportunidade de trabalhar como atriz, atuando no teatro e em telenovelas. Mais tarde, casou-se com o cineasta moçambicano Ruy Guerra, com quem teve uma filha, Janaína.

       Em 1969, deu uma entrevista bombástica para o Jornal O Pasquim, onde a cada trecho falava palavrões que eram substituídos por asteriscos, e disse: Você pode amar uma pessoa e ir para a cama com outra. Isso já aconteceu comigo. E foi depois dessa publicação que foi instaurada a censura prévia à imprensa, mais conhecida como Decreto Leila Diniz. 

      Alegando razões morais, a TV Globo do Rio de Janeiro não renovou o contrato de atriz. De acordo com a novelista Janete Clair, não haveria papel de prostituta nas próximas telenovelas da emissora.

     Leila Diniz morreu num acidente aéreo, no dia 14 de junho de 1972, aos 27 anos, no auge da fama, quando viajava em viagem à Austrália.

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