segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Vacinar homens contra HPV. Nobel de Medicina defende esta ideia

Nobel de Medicina acredita ser possível eliminar o HPV com
campanhas de vacinação para todas as crianças
      Polêmicas adiante? A vacina contra o papilomavírus humano, o HPV, lançada anos atrás, até hoje é motivo de discussão. De um lado, há uma forte corrente médica favorável ao método de proteção das mulheres ao vírus, que é o agente etiológico do câncer de colo de útero. Por outro lado, há alguns que acreditam que a vacina apresenta questionáveis contra-indicações. E neste meio, há mães em dúvidas se devem ou não vacinar suas filhas. A vacina é direcionada à meninas que ainda não iniciaram a vida sexual e, portanto, não tiveram contato com o vírus. 

      Agora, a discussão ganha novos capítulos. Harald zur Hausen, Prêmio Nobel de Medicina, e que na década de 1980 associou o HPV ao câncer de colo de útero, defende a ideia de que os homens também sejam vacinados. Para ele, há evidências de que o HPV também causa câncer em homens, incluindo anal, peniano e de garganta. Além disso, estamos diante de uma grande oportunidade de erradicar o vírus completamente se o mundo desenvolver programas globais de vacinação para todas as crianças: meninos e meninas.

Tipos de HPV

      Há cerca de 40 tipos de HPV que infectam a região genital, dos quais pelo menos 13 são considerados oncogênicos, apresentando maior risco ou probabilidade de provocar infecções persistentes e de estarem associados a lesões precursoras de câncer. Os tipos 16 e 18, por exemplo, estão presentes em 70% dos casos de câncer de colo de útero. Considerando-se outros tipos, estima-se que o vírus seja responsável por mais de 90% dos casos.

      A descoberta de Hausen, décadas atrás, não se restringiu ao câncer de colo de útero. Com o desenvolvimento das pesquisas nas décadas seguintes, ampliou-se o conhecimento acerca da  carcinogênese do vírus, evidenciando-se também sua relação direta com casos de câncer de boca e garganta, pênis e ânus.

Fonte: Agência FAPESP

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Urubus são utilizados para encontrar lixões clandestinos

Parte dos urubus foram resgatados, enquanto que os demais
foram capturados em suas colônias
      Ave um tanto quanto desprezada, os urubus são considerados repugnantes por conta da sua natureza: habitar os lixões e devorar carniça; muito embora essa prática já ajudou a humanidade destruindo poderosas bactérias. E aproveitando-se deste instinto, o Peru passou a usar os urubus para detectar depósitos clandestinos de lixo.

     Os urubus-de-cabeça-preta voam pela capital peruana, Lima, equipados com GPS e levam câmeras GoPro para registrar os lixões em que se alimentam.

     A ideia nasceu a partir de um projeto de pesquisa da Universidad Nacional Mayor de San Marcos, de Lima, sobre a vida dos urubus. Os pesquisadores precisavam de equipamentos eletrônicos para monitorar os urubus. E o Ministério do Ambiente, por sua vez, precisava de uma forma de alertar os moradores de Lima sobre o problema de lixo da cidade.

     No total, dez urubus fazem o trabalho de vigilância. As aves passaram por exames médicos rigorosos, receberam os equipamentos e foram liberados. Desde então, voam por toda a cidade de Lima. Suas asas largas permitem que voem por até quatro horas seguidas para encontrar comida, como restos de alimentos e animais mortos. Em terra, uma equipe da universidade recebe e analisa em tempo real as informações que as aves enviam. Com isso, reúnem informação sobre sua vida social, deslocamentos, hábitos de alimentação, como fazem ninho e como descansam.

     

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Dança, teatro e música poderão fazer parte do currículo escolar

Teatro, dança e música poderão fazer parte do currículo
escolar
     Teatro, artes visuais e dança, dentro de alguns anos, poderão se tornar componentes curriculares obrigatórios. A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou, na última terça-feira, parecer favorável à proposta que altera a Lei de Diretrizes e Bases para incluir o teatro, as artes visuais e a dança nas escolas. Hoje, apenas a música faz parte do currículo.

     O projeta ainda tramita no Senado. E caso seja aprovado, será um impacto em toda a educação básica brasileira, pública e privada, dos ensinos infantil, fundamental e médio, num prazo de cinco anos, a partir da data de aprovação da proposta, para os sistemas de ensino implantarem as três novas linguagens artísticas em seus currículos. Para a secretária de Formação Artística e Cultural do Ministério da Cultura, Juana Nunes, a presença de diferentes linguagens artísticas no currículo escolar potencializa o desenvolvimento cognitivo, devendo, por isso, ser uma preocupação desde a primeira infância.

     Agora o texto será apreciado pelo Plenário da Casa e, se aprovado, segue para sanção presidencial.

Fonte: Ministério da Cultura

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

LER&SER: Amar, Verbo Intransitivo - Mario de Andrade

     Em 25 de fevereiro de 1945, vítima de enfarto, Mario de Andrade morria para a vida, mas imortalizava-se na literatura. Impossível escolher apenas um livro, um poema, uma escrita para homenagear um dos ícones das letras, e um dos responsáveis pela transformação cultural de São Paulo, quiçá do Brasil, através da Semana de Arte Moderna de 1922.

     Publicado em 1927, o livro Amar, Verbo Intransitivo chama a atenção pela utilização da linguagem coloquial. A obra é considerada modernista pelos críticos literários. Nela, Mario demonstra uma paixão por seus conterrâneos. Nota-se um elogio feito aos alemães, que tinham imigrado para a cidade. Porém, o autor acaba com o enaltecimento ao colocar o povo europeu como metódico e incapaz de viver no calor do país latino.

     O livro conta a historia de Carlos Alberto, um garoto que pretende perder a virgindade. Seu pai contrata uma prostituta alemã, para evitar que o filho torne-se um frequentador dos prostíbulos da cidade. Sem saber, Carlos Alberto acredita que a mulher irá apenas lhe ensinar o idioma alemão. Seguindo a ideia de Freud, Mario de Andrade idealiza uma iniciação sexual serena para o garoto, que garantiria ao jovem uma vida adulta madura e a constituição de uma família. Porém, os cuidados do pai são em vão, e o garoto acaba perdendo a virgindade com uma prostituta em uma festinha com amigos. Entretanto, a prostituta alemã cumpre sua tarefa, sem perder a dignidade, como se estivesse realizando uma missão. Neste ponto, em que a alemã é obrigada a se dividir entre uma governanta séria e uma prostituta, entra novamente a teoria de Freud, apresentando o quanto é complexa a sexualidade humana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

QUINTA FEMININA: Grace Metalious, autora do primeiro blockbuster

Grace arrancou a tampa da hipocrisia social e falou sobre a
violência dirigida às mulheres. Tudo registrado em seu
 Peyton Place
     Grace Metalious nasceu na cidade de New Hampshire, no estado norte-americano de Manchester, no ano de 1924. Ficou mais conhecida por seu polêmico livro Peyton Place, publicado em 1956, tornando-se o primeiro blockbuster da indústria de livros. 

     O livro conta detalhes obscuros da pequena cidade de New England, local que concentrava um grande número de imigrantes canadenses - cerca de 900 mil migraram para os Estados Unidos no período de 1840 a 1930. A preferência era por localidades que estavam próximas da então Província de Quebec. O local era conhecido como a Pequena Canadá. 

      Grace tinha 11 anos de idade quando seus pais se divorciaram. Isso não foi bem aceito pela sociedade local, em partes pela maciça influência da Igreja Católica na comunidade. Grace e suas irmãs sentiram muita vergonha da nova condição da família. Somado a isso, havia ainda um sentimento de inferioridade social, econômica e política dos canadenses pelos chamados Yankees (descendentes de ingleses e escoceses protestantes) e pelos irlandeses, que dominavam a classe trabalhadora.

      Em 1943, Grace casou-se com um rapaz mais jovem. George Metalious era de origem grega, e por conta da diferença de religião, a relação dos dois não foi aceita pela família de Grace. Enquanto seu marido foi lutar na Segunda Guerra, as precárias condições econômicas do casal obrigaram Grace a se mudar para outro bairro, não muito longe da Pequena Canadá. Por lá, seu sobrenome de casada lhe ajudou negar sua origem canadense. Após o retorno do marido, o casal mudou-se para New Hampshire. Foi lá onde Grace começou a se dedicar seriamente aos livros, negligenciando os cuidados com a casa e seus três filhos, para desaprovação dos vizinhos.

Sucesso de vendas

      O livro Peyton Place nasceu de uma combinação de algumas cidades localizadas em New Hampshire: Gilmaton, a vila onde ela morou na época que escreveu o livro, Laconia, lugar onde estava situado seu bar favorito e Alton, onde poucos anos antes uma filha havia assassinado o pai, que a abusava sexualmente, e escondido o cadáver em um celeiro. Peyton Place foi um sucesso global, perdendo em vendas apenas para a Bíblia. 

      Além dos críticos considerarem o livro trash, a própria Grace se considerava uma escritora horrível e seu trabalho um lixo; muito embora sua obra de maior sucesso tenha transformado a indústria de livros para sempre. Em relação ao seu sucesso, certa vez declarou: Se eu sou uma péssima escritora, então um número incrível de pessoas têm mau gosto. Oito milhões de cópias vendidas em capa dura, mais os 12 milhões de livros de bolso fizeram Grace Metalious uma mulher rica. A imprensa transformou a dona de casa gorda vestida de macacão em uma estrela. A escritora do best-seller que desafiou a conformidade da década de 1950, uma sociedade que considerava a família ideal aquela em que a mulher era subserviente ao seu marido. 

      Grace lavou roupa suja em público e, por isso foi ameaçada com processos de difamação. Fez de Gilmaton sinônimo de luxúria e perversão. A cidade recusou-se a comprar o livro para a biblioteca pública e seu marido não teve o contrato como diretor da escola renovado. Peyton Place tornou-se um chavão para descrever a dualidade da vida da classe média, com seus segredos profundos. O livro foi proibido em muitas cidades. 

      Seus outros livros não tiveram o mesmo êxito de Peyton Place. Separada do marido, Grace Metalious passou a beber muito e ter muitos amantes, atraídos pelo seu dinheiro. Casou-se novamente com George em 1960, mas seu comportamento destrutivo causou a separação três anos depois. A escritora morreu de cirrose em 25 de fevereiro de 1964.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Sinais de uma doença silenciosa: a expressão não verbal como diagnóstico da depressão

Um médico clínico atento à expressão não verbal da depressão
pode indicar uma investigação mais profunda quando for o caso
      Dados da Pesquisa Nacional da Saúde, de 2014, apontou que 11 milhões de pessoas têm depressão no Brasil. E os números podem ser ainda maiores caso seja possível a realização de um diagnóstico mais preciso. Porque geralmente o diagnóstico da depressão e a avaliação de resultados do tratamento são feitos mediante a aplicação de questionários-padrão. As respostas do entrevistado, juntamente com as observações do entrevistador, possibilitam definir o quadro e, depois acompanhar a evolução da pessoa. Esse tipo de instrumento tem a vantagem de estabelecer uma linguagem comum, universal. Mas depende essencialmente daquilo que a pessoa fala. E negligencia outro aspecto, o da comunicação não verbal, que é exatamente aquilo que a pessoa não fala. E é este o ponto de partida da pesquisa Indicadores de expressividade e processamento emocional na depressão, realizada no Hospital das Clínicas e no Hospital Universitário, ambos veiculados à Universidade de São Paulo, a USP.

     A expressão não verbal é definida por um amplo conjunto de parâmetros corporais, como postura de ombros e cabeça; movimentos de cabeça, gerais ou de concordância/ discordância; curvatura da boca; sorriso (simétrico ou assimétrico), movimentações de sobrancelhas; contato ocular; corpo inclinado na direção do entrevistador, silêncio, choro, entre outros.

     Este tipo de análise mostra que a expressão não verbal pode confirmar ou desmentir a expressão verbal. Daí a importância de incorporá-la ao processo de diagnóstico e avaliação. "A comunicação não verbal é uma resposta reflexa. E, a menos que haja da parte do entrevistado uma determinação e uma capacidade muito fortes de controlar a linguagem do corpo, esta tenderá a expressar aquilo que não é exposto na fala, que não passa pelo crivo da fala. Principalmente no contexto clínico, a pessoa pode querer mostrar uma melhora, que efetivamente não teve, ou pode tentar esconder uma melhora, com medo de perder o atendimento. A comunicação não verbal ajudará o avaliador a formar um quadro mais realista", explica Clarice Gorenstein, professora do Instituto de Ciências Biomédicas e coordenadora da pesquisa.

Fonte: Agência FAPESP

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Ser diabético ou ter diabetes. Há diferença?

    Em termos médicos, não. Mas no convívio social sim. Recentemente, Amir Khan, repórter da área de saúde e bem-estar do US News publicou um artigo, em que sugere a retirada do termo "diabético" quando se referir a alguém com diabetes. No artigo, discute-se, também, o fato de existir um estigma de culpa relacionado ao diabetes, que é reforçado ao se usar o termo "diabético". A educadora em diabetes Evan Sisson reforça essa ideia, dizendo que referir-se a alguém como "diabético" implica que ele não é nada mais do que a disfunção. "É como o diabetes o definisse como pessoa." Além disso, usar esse termo com as crianças, passará a ideia de que ela é diferente das demais.

     Pode parecer apenas uma questão de nomenclatura, mas termos como "pessoa com diabetes", ou "fulano tem diabetes", mantêm a pessoa, e não a doença, em primeiro lugar. Da mesma forma, pessoas com outras disfunções não gostam ou não gostariam de ser abordadas com o uso de adjetivos ou substantivos como "asmático", "canceroso", "epilético", ou "aidético".

     As maiores entidades internacionais dedicadas ao diabetes, incluindo a American Diabetes Association e a International Diabetes Federation, não admitem o uso do substantivo "diabéticos" em suas revistas científicas. Apesar de nem todos ligarem, um levantamento mostrou que 40,7% admitem que se incomodam quando chamados de "diabéticos". E 25% das pessoas com diabetes tipo 1, aqui no Brasil, escondem a disfunção.

      Portanto, cabe à sociedade uma adequação no vocabulário, ainda mais porque 54,1% destes pacientes dizem que a disfunção foi a pior coisa que aconteceu em suas vidas. E que preferem ser reconhecidos por outras de suas características.

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Curso ensina idosos como utilizar os dispositivos móveis

Atividades ajudam a identificar quais são as
necessidades deste público, para a partir daí,
ajudam a propor técnicas e alternativas para
as ferramentas que serão construídas no futuro
     Pessoas velhas costumam ser saudosistas, enquanto que pessoas idosas fazem do passado, o aprendizado para aplicar no novo. Buscam novas fontes de conhecimento, e evitam o velho bordão: no meu tempo. Porque sabem que o tal "tempo" foi o ontem, é o hoje e será o amanhã. E por que não se reinventar e aceitar de braços abertos os novos tempos? Pois foi pensando nos idosos que têm vontade de compreender melhor o mundo dos dispositivos móveis podem se inscrever num curso gratuito oferecido pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo, em São Carlos.

     A atividade Práticas com Tablets e Celulares tem como objetivo familiarizar os idosos com seus próprios dispositivos, apresentando desde conceitos básicos até aplicativos que podem ser úteis no dia a dia. 

     No curso, o participante aprende, por exemplo, a realizar chamadas telefônicas, enviar mensagens, criar e gerenciar contatos, alarmes, diários, tirar fotos e fazer vídeos, enviar e-mails, brincar com jogos e até navegar nas redes sociais. Quem participar desse primeiro módulo do curso terá, ainda, a possibilidade de aprofundar seus conhecimentos no módulo II, que será oferecido ainda este semestre e, posteriormente, no módulo III.

      As inscrições podem ser feitas até o dia 26 de fevereiro, ou enquanto houver vagas. Para participar, é necessário ter pelo menos 60 anos e trazer o seu próprio smartphone ou tablet, habilitado para navegar na internet e com sistema operacional Android. As aulas acontecem sempre uma vez por semana, sempre às quartas-feiras, com início no dia 2 de março, das 15h às 17h.

       Que a iniciativa inspire faculdades de outras cidades a desenvolver atividades semelhantes, a fim de proporcionar a oportunidade de interação deste público no mundo de hoje.

Mais informações: 16 - 3373-9146.

Fonte: Universidade de São Paulo

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Início da domesticação dos gatos ocorreu na China


Domesticação dos gatos ocorreu na China, e não no Egito
Antigo, conforme se acreditava
     Estudos sugerem que os primeiros agricultores chineses podem ter domesticado felinos selvagens conhecidos como gatos-leopardo há mais de 5000 anos. Isto indicaria que os gatos foram domesticados mais de uma vez: na China, cinco mil anos antes, e no Oriente Médio. O estudo também indica que o aumento da agricultura estava destinado a dar origem ao gato doméstico.

     De acordo com Fiona Marshall, pesquisadora da Universidade de Washington, esta é uma vanguarda em uma mudança no pensamento sobre os processos de domesticação, pois se os gatos foram domesticados em diferentes lugares e em tempos diferentes, isto sugere que a domesticação ocorreu com menos interferência humana do que se pensava antes, com os próprios felinos se domesticando sozinhos. Ainda que, diretamente a pesquisadora não esteja envolvida no estudo, Marshall, há alguns anos atrás, ajudou a analisar oito ossos desenterrados de gatos na vila de Quanhucun, aldeia agrícola da China central.

     Esses ossos, datados de 5.300 anos, continham formas de carbono e nitrogênio que indicavam que os felinos comiam pequenos animais, que por sua vez tinham comido grãos. Este fato apoiou uma hipótese antiga sobre como os gatos foram domesticados - para caçar ratos, os inimigos das colheitas.

      O próximo passo da pesquisa é saber se os gatos de Quanhucun estão relacionados com os gatos selvagens do Oriente. Gatos selvagens são raramente encontrados em sítios arqueológicos, por isso cientistas têm dificuldade em mostrar como e quando aconteceu sua domesticação. A teoria mais utilizada até o momento indica que eles teriam sido domesticados cerca de quatro mil anos antes no Egito Antigo, mas estudos recentes sugerem que a aproximação teria acontecido bem antes, incluindo a descoberta de um gato selvagem enterrado com um ser humano, quase 10 mil anos atrás, e Chipre.

Fonte: Os Gatos

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Em 20 de fevereiro de 1909, era lançado o Manifesto Futurista

Manifesto Futurista foi lançado no jornal
Le Figaro
      Para entender parte do presente de hoje, tem que se voltar a um passado que já pensava no futuro. Surgido em 1909, o Futurismo é um movimento artístico e literário, que surgiu oficialmente em 20 de fevereiro daquele ano com a publicação do Manifesto Futurista, e revelou-se como uma vertente do Modernismo. Foi introduzido por Filippo Marinetti, caracterizando-se pela exaltação da velocidade, energia e da força, com uma inquestionável crença no progresso científico-tecnológico, anunciando paralelamente uma nova concepção estética, simbolizada por exemplo no automóvel, projetando-se no futuro.

      Os adeptos do movimento rejeitavam o moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se fortemente na velocidade e nos movimentos tecnológicos do final do século 19. Os primeiros futuristas europeus também exaltavam a guerra e violência. O Futurismo desenvolveu-se em todas as artes e influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas.

      Neste primeiro Manifesto, o slogan era Liberdade para as palavras e levava  em consideração o design tipográfico da época, especialmente em jornais e propaganda. Eles abandonavam toda distinção entre arte e design e abraçavam a propaganda como forma de comunicação. Foi um momento de exploração do lúdico, que teve grande repercussão no dadaísmo, no concretismo, na tipografia moderna, e no design gráfico pós-moderno.

Brasil

     No Brasil, o futurismo influenciou diversos artistas que depois fundaram outros movimentos modernistas, como Oswald de Andrade e Anita Malfatti, que tiveram contato com o Manifesto Futurista e com Marinetti. Foi certamente uma das influências da Semana de Arte Moderna de 1922, e seus conceitos de desprezo ao passado para criar o futuro e não à cópia e veneração pela originalidade caíram como uma luva no desejo dos jovens artistas de parar de copiar os modelos europeus e criar uma arte brasileira, tão diversificada através da cultura do negro e do índio, o que poderia representar uma vantagem, para construir uma nova identidade e renovar as letras e as artes.

     

      

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

LER&SER: O Amor Nos Tempos Do AI-5 - Ricardo de Moura Faria

      A década de 1970 foi assinalada por turbulências internacionais e nacionais. Lá fora, os ecos da Guerra do Vietnã e o recrudescimento da Guerra Fria. Aqui, a repressão política, cujo paradigma maior foi o Ato Institucional n.º 5, o AI-5. Nesse cenário, inscreve-se a ficção. Uma trágica e emocionante história amorosa, possível, talvez, por demonstrar que a liberdade na cama era o corolário da falta de liberdade política. 

     Os destinos de um professor universitário e de sua esposa, de uma aluna e de um colega de trabalho se unem, se cruzam, em momentos altamente eróticos, baseados, porém, no diálogo, no respeito, na liberdade. Tudo acontece ao som da música de compositores clássicos e daqueles da MPB que eram cantados e tocados pela juventude. 

     As personagens são ficcionais, porém, nelas se percebe algo familiar, pois traduzem muito da experiência de vida do autor e de muitos que presenciaram aquela tumultuada fase de nossa historia. Portanto, alguma semelhança, talvez não seja mera coincidência.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

QUINTA FEMININA: Toni Morrison e a abertura à literatura negra nos EUA

Além de retratar o universo feminino, Toni
Morrison escreveu livros infantis, junto ao filho
mais novo
       Nobel de Literatura em 1993, por seus romances fortes e pungentes, que relatam as experiências de mulheres negras, a norte-americana Toni Morrison estreou na literatura, em 1970, com O Olho Mais Azul, um estudo sobre raça, gênero e beleza. E como editora, ajudou a tornar a literatura negra popular nos Estados Unidos, publicando autores como Henry Dumas, Toni Cade Bambara, Angela Davis e Gayl Jones.

      A historia desta escritora, que hoje 18 de fevereiro completa 85 anos de idade, começou na cidade de Lorain, em Ohio, quando ainda usava o nome Chloe Ardelia Wofford, mas que, quando se converteu ao catolicismo, aos 12 anos, recebeu o nome de batismo Anthony, o que acabou servindo de base para seu apelido Toni. Em 1949, Toni ingressou na Universidade Howard, formando-se em inglês em 1953. O mestrado veio dois anos mais tarde, pela Universidade Cornell. Atuou como professora em Houston e na própria Howard.

     Casou-se em 1958 e se separou em 1964. Foi então que Toni mudou-se para Nova York, onde tornou-se editora na Random House, uma das principais editoras de língua inglesa do mundo, mas nunca abandonou o magistério, passando a lecionar em universidades de Nova York.

Obras

     O livro O Olho Mais Azul nasceu quando Toni fazia parte de um grupo de poetas escritores que se encontravam na Universidade Howard para discutir literatura. Em um desses encontros, a escritora apresentou um conto sobre uma garota negra que sonhava ter os olhos azuis. O conto serviu de base para o romance. O segundo, Sula, veio em 1973 e foi indicado ao National Book Award. Com o terceiro, Song Of Solomon, Morrison teve repercussão internacional e venceu o National Book Critics Circle Award, premiação britânica.

      O livro Beloved, sucesso de público e crítica. E foi motivo de protestos por parte de 48 críticos literários e escritores por não vencer o National Book Award nem o National Critics Circle Award. O livro ganhou uma adaptação para o cinema, estrelado por Oprah Winfrey e Danny Glover.

      Ainda que o universo de seus romances girem em torno de mulheres negras com personalidades fortes e historias de vida marcantes, Toni não considera suas obras feministas. Ela chegou a afirmar: Não concordo com o patriarcado, e não acho que ele deve ser substituído pelo matriarcado. É uma questão de acesso igualitário, de abrir portas para todos os tipos de coisas.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A sua coluna é frágil... previna-se!!!

    A necessidade de uma campanha de conscientização contra os acidentes que geram o Trauma Raquimedular, lesão na coluna vertebral que atinge a medula espinhal, foi verificada com base na pesquisa do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, que mostrou que o fator comum entre as várias causas de acidentes que lesionam a coluna é a falta de cuidado pessoal, ou seja, por excesso de confiança, as pessoas se expõem a riscos. O estudo apontou que acidente com moto é a principal causa de traumas na coluna e a falta de equipamentos de segurança é responsável por metade desses traumas. Os dados mostram que, dos traumas na coluna, 52% são causados por acidentes de trânsito e 36% são causados por queda de altura pequena, como telhados, lajes e muros. Mergulho em água rasa é a terceira causa de traumas na coluna. 

     Com base nestes números, a Rede de Reabilitação Lucy Montoro criou a campanha Cuidado, sua coluna é frágil - não dê as costas para o perigo, cujo objetivo é a prevenção de lesões na coluna em situações cotidianas, sobretudo na época do verão, quando as pessoas se expõem a mergulhos em piscinas e rios. 

     Existem muitas situações do dia a dia que aparentemente são inofensivas, porém podem trazer dano. Por isso, é importante analisar e considerar o perigo de todas as atividades, mesmo as que não demonstram riscos aparentes, pois uma atividade cotidiana ou um ato corriqueiro oferecem riscos.

Fonte: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência

    

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Preconceito ainda impede ensino de literaturas africanas

Um dos temas para abordar a cultura de um
continente com mais de 50 países, pode ser
colonização que aproxima o Brasil de tantos países
africanos que passaram pelo mesmo processo
       Muitos não sabem, mas a Lei Federal 10.639/03 determina que os conteúdos sobre história e cultura africana e afro-brasileira devem ser abordados em todos os níveis de ensino das redes privada e pública de todo o País. Mas na prática, nem sempre isso acontece. A dissertação de mestrado Literaturas africanas e afro-brasileira no ensino fundamental II, do professor de Língua Portuguesa e Literatura André de Godoy Bueno, mostra que ainda hoje há universidades que não trabalham esse conteúdo na formação docente. O que faz com que a abordagem em sala de aula depende mais da iniciativa pessoal do professor, incluindo a busca por material didático.

      Bueno aplicou um questionário com 15 perguntas a 30 professores, sendo 15 do município de São Paulo, e 15 de escolas estaduais das cidades de Guarulhos, Mauá, Indaiatuba e Marília. As perguntas abordavam desde o conhecimento da Lei até a forma de aplicação do conteúdo. Ao comparar as redes de ensino, o professor constatou que, dos 15 professores da rede municipal, 11 trabalham com o conteúdo de literaturas africanas e afro-brasileiras em sala de aula. Já na rede estadual, são 9 os professores que tratam o tema.

Casos de preconceito

      Na prática, fica evidente os casos de preconceito com os quais os professores são obrigados a ter de lidar quando tentam aplicar a Lei. Um dos professores contou que uma colega de profissão de uma escola municipal resolveu trabalhar o significado da palavra "macumba" (que pode ser um instrumento musical ou uma árvore). No entanto, alguns pais reclamaram, pois acreditaram tratar-se de uma abordagem religiosa. E a direção da escola pediu para a professora da escola não realizar o trabalho.

      Em outro relato, uma professora do estado contou que utilizou, no ensino médio, um documentário a respeito dos rituais religiosos africanos para falar sobre cultura. Dois alunos se levantaram e se recusaram a assistir, pois disseram que aquilo não fazia parte da religião deles, que eram contra e se retiraram da sala.

     Para o pesquisador, também entre os professores há também preconceito; alguns acham que a literatura africana vai falar de aspectos religiosos. Por outro lado, há os que aplicam a lei por diferentes razões. "Muitos abordam a literatura africana e afro-brasileira porque são negros, outros porque se interessam pelo tema, mas há os que não o fazem ou por não se interessarem ou por não terem formação específica. Além disso, segundo Bueno, há uma falha no poder público, desde o Ministério da Educação, o MEC, até as secretarias estadual e municipal de educação. 

     A pesquisa foi apresentada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, a FFLCH, da Universidade de São Paulo, a USP.

Fonte: Agência USP

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Câncer infantil: a importância do diagnóstico precoce

Se diagnosticado precocemente, as
chaces de cura varia em torno de 70%
     Com o objetivo de conscientizar pais e responsáveis no mundo todo, hoje, 15 de fevereiro, é o Dia Internacional do Combate ao Câncer Infantil, além de valorizar a luta dos pequenos para superar a doença. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o Inca, para este ano, estão previstos 12.600 novos casos em crianças e adolescentes de 1 a 19 anos.

     Atualmente, a doença é a principal causa da morte de pessoas nesta faixa-etária. E o diagnóstico precoce é de fundamental importância, por isso, pais e responsáveis devem ficar atentos a quaisquer mudança na saúde dos filhos, prestando atenção em alguns sintomas que podem estar associados ao câncer. Alguns deles são palidez, manchas roxas sem relação com machucados, febre, dor abdominal e urina com sangue, entre outros. 

   O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias, os do sistema nervoso central e linfomas.

     Nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Hoje, em torno de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

Fonte: Inca

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Antes do homem, outros seres vivos viajaram ao espaço

Dentre todos, a cadela Laika foi o animal cuja historia ficou
mais famosa e é lembrada até hoje
     Muito antes do homem ir ao espaço - em 12 de abril de 1961 -, outros moradores do nosso planeta foram os pioneiros das viagens espaciais. Cachorros, macacos, sapos, ratos, gatos, tartarugas, peixes, insetos e até um porquinho da índia visitaram o espaço antes dos homens para entender como formas de vida terrestres reagiram no perigoso e, até então, desconhecido ambiente espacial. Mesmo porque havia todo tipo de medo e até então nenhuma resposta para esses temores, como as reações que a falta de gravidade e a exposição a radiação solar poderiam causar às formas de vida do planeta Terra.

     No entanto, diferentemente das missões tripuladas por homens que aconteceriam durante a corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética, que eram de ida e volta, muitos dos bichos enviados ao espaço não retornaram.

     As moscas de frutas foram os primeiros habitantes da Terra a visitarem o espaço, em 20 de fevereiro de 1947. Uma cápsula contendo 100 delas atingiu 109 km de altura. O objetivo era observar os efeitos da radiação solar em órbita no corpo dos insetos. Após a rápida subida, a cápsula retornou com todos os insetos vivos. No ano seguinte, os Estados Unidos deram início ao Programa Albert, responsável por enviar os primeiros mamíferos ao espaço, no caso o macaco rhesus. Albert I, o primata, foi enviado ao espaço no dia 11 de junho, para um estudo mais amplo. Porém, o macaco morreu sufocado durante o lançamento. Três dias depois, foi a vez de Albert II, que sobreviveu a viagem sub-orbital, mas não resistiu à volta. No entanto, os chipanzés foram utilizados diversas vezes, tanto as missões americanas quanto as soviéticas.

Até hoje, o felino Felix ou Felicette foi
o único da espécie a viajar ao espaço
      Durante as décadas de 1950 e 1960, a antiga União Soviética enviou 57 cachorros para fora da Terra, por serem considerados bichos que resistem a grandes períodos de inatividade. No dia 22 de julho de 1951, um voo duplo levou dois cães; mas foi a cadela Laika o primeiro terrestre a entrar em órbita - os voos até então eram sub-orbitais. A cápsula que levou a cadela não foi projetada para retornar e acabou incinerada  no processo de reentrada na atmosfera.

     Em 1963, a França enviou o primeiro felino ao espaço, o gato Félix; algumas fontes afirmam que o gato era fêmea, chamada Felicette.

     Duas aranhas foram enviadas ao espaço pela Nasa cujo objetivo da missão era observar se as aranhas seriam capazes de tecer uma teia no espaço, o que de fato foi possível. Uma morreu na estação espacial, enquanto que a outra morreu durante a reentrada na Terra. Os corpos das duas estão em exposição no Museu Smithsoniam, em Washington.

Próximos à Lua

     Os primeiros seres terrestres que chegaram próximo à Lua foram duas tartarugas. Em 1968, o programa especial da União Soviética enviou ao espaço uma nave para contornar o satélite e em seguida retornar. Mas elas não estavam sozinhas; tiveram a companhia de minhocas, plantas e bactérias. Em 1970, foi a vez de dois sapos-boi irem ao espaço para uma viagem de seis dias para analisar o efeito da gravidade zero, e numa cápsula devidamente climatizada. Os anfíbios retornaram são e salvos. E os porquinhos-da-índia foram enviados ao espaço junto á répteis, ratos e um cachorro. No entanto, os animais morreram ao retornarem à Terra.

Fonte: Airway - Tudo sobre aviação

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Há 94 anos, os sete dias decisivos para a arte brasileira

      Se possível fosse voltar no tempo, mais precisamente na São Paulo de 1922, veríamos a efervescência na região central da cidade, mais precisamente no Teatro Municipal, palco de um marco para a cultura brasileira. Pois foi lá, que entre 11 e 18 de fevereiro, aconteceu a Semana da Arte Moderna, há exatos 94 anos. Quando um grupo de artistas se rebelou contra padrões estéticos da arte brasileira vigentes desde o século anterior. Além de dar origem ao Modernismo do Brasil, a iniciativa foi fundamental na formação da identidade nacional.

     O Modernismo rompeu com o tradicionalismo, buscou a libertação estética e uma identidade artística nacional. As novas linguagens modernas de movimentos artísticos e literários europeus foram assimiladas ao contexto artístico e a elementos da cultura brasileira.

     Seus principais artistas - Oswald e Mario de Andrade, Anita Malfatti, Menotti Del Picchia, Tarsila do Amaral, Emiliano Di Cavalcanti e Manuel Bandeira -, já vinham produzindo obras que anunciavam mudanças, mas o marco de uma verdadeira ruptura entre o velho e o novo ocorreu durante a Semana.

    O Movimento tinha como foco o resgate das origens brasileiras e a valorização do patrimônio nacional. Os artistas dialogavam com movimentos europeus como o Dadaísmo, Cubismo e Futurismo.

     De acordo com Francisco Bosco, presidente da Fundação Nacional das Artes, a Funarte, os modernistas permitiram esmaecer no horizonte a pergunta: O que é o Brasil? e iniciar a tradição de sua resposta. Mas é oportuno dizer, segundo Bosco, que a pergunta que agora se coloca em nosso horizonte é: O que pode ser o Brasil? E isso exige revisitações permanentes aos textos modernistas para se encontrar os melhores caminhos. 

     Para a professora Maria Eugênia Boaventura, do Instituto de Linguagens da Universidade de Campinas, a Unicamp, a Semana e seus desdobramentos foram importantíssimos para a linguagem artística atual. "Se você só copia, que autoestima você tem? Antigamente só fazíamos isso. A Semana foi um marco histórico e as obras foram de importante consequência."

Fonte: Ministério da Cultura

    

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

LER&SER: "As Meninas" - Lygia Fagundes Telles

       Em comemoração à indicação da escritora Lygia Fagundes Telles ao Prêmio Nobel de Literatura, uma de suas obras que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, o livro As Meninas. Não foram muitos os escritores que, no auge da ditadura militar no Brasil, abordaram em seus textos temas como a repressão e a tortura e escreveram obras de contestação como As Meninas de Lygia Fagundes Telles. Livro árduo, dolorido e lindo, As Meninas relata os conflitos no relacionamento de três jovens que têm entre si um ponto em comum, a solidão, e como pano de fundo os governos militares.

     Três universitárias compartilham com algumas freiras um pensionato em São Paulo. Ana Clara gosta de um traficante e vive drogada. Lia briga contra o regime, Lorena, filhinha de papai, ajuda as outras duas com dinheiro. Lia se envolve com Miguel, que é preso e trocado por um diplomata. Sem ligar para a política ou as drogas, Lorena se apaixona por um médico casado e pai de cinco filhos. Um enorme espaço separa o universo das pensionistas e seus dramas das religiosas, que se apavoram com a liberdade das três moças. Cada uma das personagens é um poço de conflitos e monólogos interiores que vêm à tona através das confidências  íntimas de cada uma e que se ligam à miséria política e cultural da época.

     O texto de Lygia Fagundes Telles não cai na vulgaridade, não se banaliza, apesar do tema. A linguagem é coloquial e expressiva e os diálogos abandonam as conveniências formais. As Meninas de Lygia são, afinal, as jovens do nosso tempo, saídas da adolescência e ingressando na plenitude da mocidade. Nada mais atual.

     Apontada pela crítica como um sucesso absoluto, As Meninas é uma obra que resultou do esforço de três anos de trabalho dessa autora perseverante, que valoriza a palavra e mostra, através de seus textos, a luta de todos nós em defesa da liberdade.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

QUINTA FEMININA: Lygia Fagundes Telles, primeira brasileira indicada ao Nobel de Literatura

Em outubro, Lygia Fagundes Telles, poderá ser a primeira
escritora brasileira a ganhar um Nobel de Literatura
     Uma excelente notícia para a literatura nacional. A União Brasileira de Escritores, a UBE, indicou a escritora Lygia Fagundes à Academia Sueca para concorrer ao Prêmio Nobel deste ano, fazendo dela a primeira escritora brasileira indicada ao Prêmio. A diretoria da entidade aprovou por unanimidade o nome da paulista, que é membro da Academia Paulista de Letras, desde 1982, da Academia Brasileira de Letras, desde 1985, e da Academia das Ciências de Lisboa, desde 1987. Em 2015, a vencedora do Nobel de Literatura foi a escritora e jornalista bielorussa Svetlana Alexievich.

      A autora, que está com 92 anos, tem obras traduzidas para inúmeras línguas, como inglês, alemão, espanhol, francês, italiano, polonês e sueco. Seus romances foram adaptados também para o cinema, teatro e televisão. 

     Formanda em Direito, conheceu nos bares e cafés do Largo São Francisco, em São Paulo, intelectuais da era modernista, como Mario e Oswald de Andrade e o crítico de cinema e ensaísta Paulo Emílio Salles Gomes - seu segundo marido. Entre suas diversas obras premiadas estão o livro de contos O Cacto Vermelho (1946), Historias do Desencontro e Antes do Baile Verde (1970). Este último, vencedor do Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França. E com As Meninas (1973), Lygia conquistou o Prêmio Jabuti. Em 2005, recebeu o Prêmio Camões pelo conjunto da obra.

      Pablo Neruda, Mario Vargas Llosa e Gabriel García Marquez estão entre os autores latino-americanos que já receberam o Prêmio. Nenhum brasileiro ganhou até hoje um Nobel. O anúncio do vencedor do Nobel de Literatura deve ser feito em outubro deste ano, na sede da Academia, em Estocolmo, na Suécia.

Biografia

     Em 1923, nascia Lygia de Azevedo Fagundes. Em 1938, dois anos depois da separação dos pais, Lygia publicou o seu primeiro livro de contos, Porão e Sobrado, com a ajuda de seu pai com o pagamento da edição e assinando como Lygia Fagundes. No ano seguinte, terminou o curso da escola Caetano de Campos e ingressou na Faculdade Superior de Educação Física, também em São Paulo. Nessa mesma época, frequentou o curso pré-jurídico, preparatório para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco, para só então iniciar o curso em 1941, depois de concluir o curso de Educação Física.

    Depois de já ter conhecido os modernistas Mario e Oswald de Andrade e Paulo Emílio Salles Gomes, entre outros nomes, escreveu para os jornais Arcádia e A Balança.

     Em 1950, casou-se com o jurista Goffredo da Silva Telles Jr., seu professor na Faculdade de Direito, e assim passou a assinar Fagundes Telles em seu sobrenome. Mudou-se para o Rio de Janeiro, então sede da Câmara Federal, quando seu marido elegeu-se Deputado Federal. Em 1954, nasceu seu primeiro filho.

     Em 1960, separou-se do marido e ainda formalmente casada, reatou o romance com Paulo Emílio Salles Gomes, o que gerou um escândalo na época. Em 1977, viúva, assumiu a presidência da Cinemateca Brasileira, fundada pelo marido.

Fonte: Conexão Planeta

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Em 2020, mais da metade da população mundial usará dispositivos móveis

A adoção de dispositivos móveis, maior cobertura
móvel e a demanda por conteúdo móvel
impulsionaram o número de usuários, que irá crescer
duas vezes mais rápido que o da população mundial
    De acordo com estudo divulgado recentemente, desde o ano 2000 até agora, o número de usuários móveis quintuplicou. E a previsão é de que, em 2020, haverá 5,5 bilhões de usuários móveis, o que representa 70% da população mundial. A previsão é de que os dispositivos móveis inteligentes e suas conexões representarão 72% do total de dispositivos e conexões móveis em 2020, 36% maior que em 2015. 

     Os dispositivos inteligentes serão responsáveis por 98% do tráfego de dados móveis em 2020. E o mais surpreendente é que a proliferação dos telefones móveis está aumentando com tamanha rapidez que terão mais pessoas com telefones celulares (5,4 bilhões) do que eletricidade (5,3 bilhões), água encanada (3,5 bilhões) e automóveis (2,8 bilhões) em 2020. 

     No Brasil, havia 170,7 milhões (82% da população brasileira) de usuários móveis, um aumento de 2% comparado aos 166,6 milhões (82% da população do Brasil), em 2014. E em 2020, haverá 182,1 milhões (84% da população do Brasil) de usuários móveis.

     O estudo Cisco VNI Global Data Traffic Forecast baseia-se em previsões feitas em estimativas da própria Cisco com relação a adoção de aplicações móveis, minutos de uso e de velocidade de transmissão de dados 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Homenagem ao Frevo em dia de Carnaval

Originalmente brasileiro, o Frevo é declarado
Patrimônio Histórico pela UNESCO
    Neste 9 de fevereiro, terça-feira de Carnaval, nada mais apropriado do que falar de um ritmo musical e uma dança brasileira que se originou no estado de Pernambuco, o Frevo, estilo que marcha, maxixe e elementos da capoeira. Porque foi neste dia que, em 1907, ela foi descrita pela primeira vez na publicação recifense Jornal Pequeno, em referência ao ritmo, em reportagem sobre o ensaio do clube Empalhadores de Feitosa, que apresentava, entre outras músicas, uma denominada Frevo. A palavra Frevo vem de ferver, por corruptela, frever, que passou a designar eferverscência, agitação, confusão, reboliço, 

     Declarado Patrimônio Histórico da Humanidade, pela UNESCO, em 2012, o Frevo surgiu em Pernambuco, no fim do século 19, e é caracterizado pelo ritmo extremante acelerado. Da junção da capoeira, com o ritmo do frevo nasceu o passo, a dança do Frevo das utilizadas inicialmente como armas de defesa dos passistas que remetem  diretamente a luta, resistência e camuflagem, herdada da capoeira e dos capoeiristas, que fazem uso dos porretes ou cabos de velhos guarda-chuvas como arma contras os grupos rivais. Foi da necessidade de imposição e do nacionalismo exacerbado no período  das revoluções pernambucanas que foi dada a representação da vontade de independência e na luta da dança do Frevo.

Letra

     De instrumental, o Frevo ganhou letra no frevo-canção e saiu do âmbito pernambucano para tomar o resto do Brasil. A primeira gravação com o nome do gênero do Frevo foi o Frevo Pernambucano, lançado por Francisco Alves no final de 1930.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sepé Tiarajú e a luta de um povo dizimado ao longo da historia

Sepé Tiarajú, herói nacional, líder da resistência contra o
 domínio dos espanhóis e portugueses
     Ainda que o dia 19 de abril seja nacionalmente conhecido como o Dia do Índio, muitos não sabem, mas no dia de ontem, 7 de fevereiro, é comemorado o Dia Nacional da Luta dos Povos Indígenas. Há dois anos, a data foi escolhida em homenagem ao líder indígena Sepé Tiarajú, que lutou contra a dominação espanhola e portuguesa no Rio Grande do Sul no século 18. Entre as diversas conquistas indígenas está a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena, vinculado ao Ministério da Saúde.

Quem foi  Sepé Tiaraju

      Um herói nacional de resistência, Sepé Tiarajú, líder da nação guarani, lutou bravamente contra os portugueses e espanhóis, no começo da colonização, na chamada Guerra Guaranítica, onde se situava os aldeamentos jesuíticos dos Sete Povos das Missões, hoje Rio Grande do Sul. Por lá, viviam por mais de um século uma vida de comunidade, onde tudo era repartido e todos trabalhavam pelo bem da coletividade. Porém, as potências europeias não aceitavam que um pedaço de terra pertencesse a eles, e resolveram expulsar as missões para os confins do Uruguai, mas os índios não aceitaram, e pegaram em armas para resistir. Foi aí que surgiu a figura de Sepé Tiarajú, como líder dos ataques.

     Os índios resistiram mais de três anos. Sepé Tiarajú tinha como lema: nossa terra já tem dono, e ninguém vai tirá-la de nós. Corajoso, inteligente e guerreiro, elaborou e efetivou emboscadas no meio do mato que deixavam os soldados perdidos e fáceis de matá-los. Mas no dia 7 de fevereiro de 1756, Sepé morreu lutando no Arroio Caiboaté, onde o seu cavalo rodou e ele foi ferido pela lança de um soldado, e antes que se levantasse foi morto com um tiro de pistola pelo Governador de Montevidéu.

     Sepé Tiarajú virou herói guarani missioneiro rio-grandense pela Lei n.º 12.366 e está escrito no Livro dos Heróis da Pátria. É também considerado um santo popular brasileiro.
     

A Sesai


     A Secretaria Especial de Saúde Indígena, a Sesai, é responsável por coordenar a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e todo o processo de gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena.

     Entre as ações da Sesai está a de articular com estados e municípios e organizações não-governamentais ações de atenção à saúde indígena, respeitando as especificidades culturais e o perfil epidemiológico de cada povo

Fonte: Conselho Nacional de Saúde

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A polêmica em torno do exercício da medicina veterinária

Impedido de consultar gratuitamente, Ricardo Fehr pretender
criar uma ONG e dar continuidade nos atendimentos
     Em nota divulgada no site do Conselho Regional de Medicina Veterinária, e diante dos casos veiculados na mídia, a entidade informa que exerceu sua competência legal e fiscalizou a clínica veterinária de propriedade do médico Ricardo Fehr Camargo, e constatou algumas irregularidades.

     De acordo com o órgão, o estabelecimento estava funcionando de forma irregular com os artigos 27 e 28 da Lei  n.º 5.571/68, não possuindo registro neste órgão de classe, assim como averbação de médico veterinário responsável técnico. O médico veterinário Ricardo Fehr é registrado no CRMV e, por isso, deve seguir toda a legislação pertinente à atuação, notadamente o Código de Ética Profissional, que proíbe, em seus artigos 21 e 22, a prestação e divulgação de serviços gratuitos, exceto em casos de pesquisa, ensino ou utilidade pública.

    O Conselho Regional de São Paulo esclarece que ações de utilidade pública são aquelas realizadas por entidades sem fins lucrativos como, Organizações Não-Governamentais, instituições públicas ou entidades e empresas a elas conveniadas, tendo apoio do Conselho, quando sua finalidade estiver vinculada ao atendimento de animais carentes

Entenda o caso

     O médico Ricardo Fehr foi proibido pelo CRMV de atender animais de pessoas carentes em sua clínica na cidade de São Carlos, interior de São Paulo. O veto foi comunicado no último dia 30 e provocou revolta nas redes sociais depois que o médico publicou um vídeo relatando o caso. De acordo com ele, foram atendidos cerca de 50 animais em dois sábados. Porém, no dia 30, uma fiscal do CRMV foi até o local e determinou a suspensão do atendimento.

      "Como eu percebi que aos sábados, o movimento da clínica era tranquilo, decidi abrir as portas para atender essas pessoas", declarou  o médico á Folha de S. Paulo. Mas os atendimentos só aconteciam depois que os animais eram cadastrados e os donos comprovassem a condição social.

      O médico pretende criar uma ONG para a partir daí dar prosseguimento ao atendimento gratuito aos animais de famílias carentes. Além disso, irá providenciar a regularização de sua clínica médica.

Fonte: Conselho Regional de Medicina Veterinária
           Folha de São Paulo
Foto: Catraca Livre

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Pelo direito de buscar os próprios direitos

Reunidos, os representantes da Rede Trans e do MinC
     O dia 29 de janeiro é o dia em que se comemora nacionalmente a Visibilidade Trans, pois em 2004 foi lançada no Brasil a campanha Travesti e Respeito, primeira ação contra a transfobia idealizada por ativistas travestis e transgêneros. Neste mesmo ano foi criado o primeiro grupo de trabalho para a promoção da cidadania cultural LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais e Transgêneros -, sendo fundamental como incitador e orientador das ações desenvolvidas desde então. Nos últimos anos, o Ministério da Cultura, o MinC trabalhou para transformar em ações efetivas a maior parte das diretrizes definidas para esta parcela da sociedade.

     Entre as atividades desenvolvidas pelo MinC, estão o lançamento de editais de apoio às paradas do Orgulho LGBT e de outras manifestações culturais, premiações para iniciativas culturais de combate à homofobia e promoção dos direitos e visibilidade LGBT e apoio aos Pontos de Cultura voltados a esse público.

     Ainda assim, o grupo reivindica mais visibilidade e reconhecimento, sendo necessária a implementação de políticas culturais que ajudem a combater o preconceito e a transfobia e que informam a população sobre o tema. A luta de travestis e transgêneros é a luta por direitos garantidos pela Constituição Federal, onde no artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade  do direito á vida, à liberdade, à segurança e à prosperidade. E a falta de conhecimento por parte da sociedade sobre sexualidade e questões afetivas faz com que o preconceito impere. Há confusão sobre orientação sexual, que é a atração por outros indivíduo; e identidade de gênero, que é a forma com que o indivíduo se identifica, independente do órgão genital que possui.

Fonte: Ministério da Cultura
Foto: Janine Moraes - Assessoria de Comunicação do MinC

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

LER&SER: Livros que falam de Carnaval

      Em O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, Felipe Ferreira aborda a historia do Carnaval desde seu surgimento, na Idade Média, até o advento da Internet, passando pela organização da festa nas principais cidades do País. 

    Traça um amplo e surpreendente painel da cultura brasileira e contém informações inéditas e análises capazes de agradar tanto ao estudioso compenetrado quanto o folião mais animado.

      Primeiro romance de Jorge Amado, O País do Carnaval, faz um retrato crítico e investigativo da imagem festiva e contraditória do Brasil, a partir do olhar do personagem Paulo Rigger, um brasileiro que não se identifica com o País. 


      Filho de um rico produtor de cacau, Rigger volta ao Brasil depois de sete ano estudando direito em Paris. Num retorno marcado pela inquietação existencial, ele se une a um grupo de intelectuais de Salvador, com o qual passa a discutir questões sobre amor, política, religião e filosofia. 

     Dúvidas sobre os rumos do País o ocupam o grupo. O protagonista acredita que a festa popular mantém o povo alienado. Mestiçagem e racismo, cultura popular e atuação política são alguns dos temas de Jorge Amado  que aparecem aqui em estado embrionário.

      Tragédia carioca que transporta para um cenário tipicamente brasileiro o mito de Orfeu, filho de Apolo, uma das histórias mais emblemáticas da vasta mitologia grega. Imerso em sofrimento depois da morte da amada Eurídice, o músico Orfeu vê-se incapaz de entoar suas canções, pois os sons melodiosos e tristes de sua lira não o consolam da perda do grande amor.

      Desesperado, Orfeu decide descer ao Hades (o reino dos mortos) para trazer Eurídice de volta à terra.

      O Jovem Noel Rosa é uma biografia romanceada sobre os anos de formação do Poeta da Vila Isabel, um dos maiores compositores da nossa música popular, tendo como pano de fundo os acontecimentos históricos  mais notáveis do Brasil das décadas de 20 e 30. 

     Noel tinha na irreverência sua marca registrada, e o bom humor era a sua arma sempre pronta para disparar em todas as direções, e às vezes contra si mesmo - já que ele não se levava tão a sério. Boêmio incorrigível, levava uma vida desregrada e pouco recomendável para sua saúde debilitada. 



     

      A obra traz passagens da vida deste célebre poeta da música popular brasileira. Seu nascimento no bairro de Vila Isabel, sua infância e juventude, episódios da época em que estudou no colégio São Bento, seus amores, seu encontro com a música, sua vida boêmia e tantos outros fatos da vida desse ilustre compositor. 

     Este livro recebeu a chancela de Altamente Recomendável do Instituto Brasileiro  do Livro Infanto-Juvenil.