quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Certificado da OMS confirma eliminação da rubéola no Brasil

A vacina foi fundamental para impedir a disseminação
da doença
     O Ministério da Saúde recebeu certificação que comprova que a rubéola e a síndrome da rubéola congênita estão oficialmente eliminadas no Brasil e nos demais países das Américas. O Certificado de Eliminação da doença foi emitido pela Organização Mundial da Saúde, a OMS, em cerimônia realizada em Brasília, semana passada.

     Os últimos casos de transmissão da rubéola e da síndrome da rubéola congênita no País ocorreram em 2008 e 2009, respectivamente, em função de um trabalho que começou há 20 anos, quando eliminar a doença exigiu três ações estratégicas: a vacinação, a vigilância epidemiológica e a vigilância laboratorial. A vacina foi progressivamente ampliada no Brasil, chegando a alcançar 98% das mulheres e homens na campanha de imunização em 2008. Ao mesmo tempo em que as ações de vigilância foram intensificadas, permitindo o diagnóstico precoce dos casos com confirmação laboratorial e ações rápidas para conter o espalhamento do vírus.

     Uma boa notícia para a população e especialmente para as gestantes. No entanto, a eliminação da doença não significa o fim dos esforços, uma vez que a rubéola ainda ocorre em muitas partes do mundo. Por isso, será preciso manter as ações para que o agravo não volte às Américas. "O vírus da rubéola tem transmissão respiratória rápida. Turistas e brasileiros não vacinados que viajam para o exterior podem trazer a doença de volta para o País. Para garantir que essa infecção não volte a se propagar no Brasil, precisamos manter a cobertura de vacinação e as ações de vigilância", declarou a virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratório e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz. A pesquisadora é também membro do Comitê Internacional de Especialistas para Eliminação do Sarampo e Rubéola nas Américas.

     Depois da erradicação da varíola, em 1973, e da poliomielite, em 1994, agora o Brasil conquista também a eliminação da varíola.

Fonte: Agência Fiocruz

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

HC desenvolve técnica que previne amputação de membros causada por lesões

Técnica para prevenção de amputação é pioneira no Brasil
     As cirurgias para amputação de membros causadas por lesões estão com os dias contados. Um estudo pioneiro para a cicatrização de feridas poderá evitar amputações futuras. Desenvolvido pelo Serviço de Cirurgia Plástica e Queimaduras do Hospital das Clínicas, o HC, o método utiliza matriz dérmica ou pele artificial, associada à terapia de pressão negativa e enxerto de pele.

     O procedimento, realizado em 20 pacientes, mostrou-se eficaz. Estas pessoas apresentavam profundas feridas agudas, ou seja, com exposição do osso, tendão ou articulação, e estavam em tratamento no HC. As lesões eram resultados de traumas, queimaduras ou processos infecciosos graves.

     De acordo com o autor do estudo, o cirurgião plástico Dimas André Milcheski, os resultados foram surpreendentes. A média de integração do modelo de regeneração térmica foi de 86,5%. Houve integração completa do enxerto de pele sobre a matriz dérmica em 14 pacientes, ou 70% deles, integração parcial em 5 pacientes e apenas 1 paciente apresentou perda total, o que foi resolvido com nova enxertia de pele. A ferida foi fechada completamente em 95% dos pacientes.

     O tratamento, pioneiro no Brasil, simplificou a conduta cirúrgica e preveniu a amputação de extremidades, porque essas feridas graves necessitam usualmente de cirurgias mais complexas como técnicas microcirúrgicas para a sua resolução. Ou, em casos mais graves, a amputação.

     A técnica, concedeu ao autor, o prêmio de melhor estudo da América Latina em cirurgia plástica reconstrutiva, pela revista médica PRS Global Open - International Open Access Journal of the American Society of Plastic Surgeons. 

Fonte: Agência USP

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Quantos amigos você tem?

Muitos ou poucos, o importante é ter amigos
    Na rede social Facebook há a possibilidade dos usuários adicionarem milhares de pessoas como amigos em seu perfil pessoa. E com um número expressivo de pessoas cadastradas como amigos, o aplicativo facilita a vida dos mais esquecidos, lembrando nomes e datas de aniversário, por exemplo. Mas, e se não fosse por esse recurso, o cérebro humano conseguiria dar conta de comportar um número tão grande assim de amigos? De acordo com pesquisas, não.

     Um estudo feito na Universidade de Oxford comparou o tamanho do cérebro humano, mais precisamente do neocórtex - área responsável pelo pensamento consciente -, com o de outros primatas. E ao cruzar estas informações com dados sobre a organização social de cada uma das espécies ao longo do tempo, concluiu que 150 é o máximo de amigos que uma pessoa consegue ter ao mesmo tempo. Portanto, os relacionamentos que extrapolam esse número são inevitavelmente mais casuais.

     Mas os cientistas não conseguiram encontrar uma razão que explique esse número limite de 150. Eles acreditam que foi a maneira pela qual o cérebro conseguiu construir e administrar o que viria a se tornar, ao longo do tempo, o bem mais importante da espécie humana: a rede social. Alguns pesquisadores foram além, e constataram que, dentro desse grupo de 150, há uma série de círculos concêntricos de amizades: 5, 15, 50 e 150 pessoas, cada uma com características diferentes. E o mais interessante é que estes tais círculos já haviam sido descritos por filósofos como Confúcio, Platão e Aristóteles. Na Antiguidade, 5 já era considerado o número máximo de amigos íntimos que alguém poderia ter. São aqueles com quem você mais fala. Quinze amigos em seu círculo social são as pessoas bastante importantes para você. Este grupo pode incluir colegas de trabalho ou amigos de amigos.

     Cinquenta é o número médio de pessoas nos acampamentos de caça em comunidades primitivas, e considerado o número de amizades mantidas pelas pessoas. Cento e cinquenta é o tamanho médio dos grupos no período neolítico. E podem, inclusive, ser a chave do sucesso profissional. Por exemplo, a empresa têxtil norte-americana Gore-Tex abre uma nova sucursal  cada vez que seu número de funcionários passa de 150 pessoas. Dentro de um grupo social, é o máximo que o cérebro consegue administrar ao mesmo tempo. São as pessoas cujos nomes, rostos e características você consegue memorizar.

      Seja lá qual for a quantidade de pessoas que você considera como amigos, o fato é que sem eles é impossível construir uma vida plena e saudável.

Fonte: Super Interessante

domingo, 6 de dezembro de 2015

O trabalho voluntário de médicos veterinários em Mariana

O objetivo do trabalho dos
médicos é o bem-estar dos
animais que sofreram por dias
     Além das vidas humanas perdidas devido ao rompimento da barragem de mineração em Mariana, Minas Gerais, um número incalculável de animais também foram mortos na tragédia. No entanto, centenas de animais resgatados estão contando com a ajuda de médicos veterinários de todo o País, principalmente de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Profissionais que ao tomarem conhecimento da tragédia deram uma pausa em seus compromissos e foram exercer a Medicina Veterinária de forma voluntária no local. O trabalho inclui revezamento dia e noite no cuidado com os animais.

     No distrito de Bento Rodrigues, uma estrutura com divisórias e baias reúne mais de 200 animais entre cães, gatos, galinhas, gansos, patos, bois, porcos e cavalos, que após passarem dias atolados na lama, eles chegaram ao Centro de Recolhimento debilitados, com fome e machucados.

     Todos os animais foram vacinados, vermifugados, possuem uma ficha clínica com a medicação e a alimentação que devem receber, além de uma placa como nome do proprietário, quando identificado. A maioria deles já foi identificada pelos donos, moradores atingidos pela tragédia que ainda estão sem casa, e, por isso, sem condições de retirá-los do local. Quando autorizados pelos donos, os animais são levados para castração.

     O trabalho ganhou o apoio de alunos de residência em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, a UFMG.

Atuação

     De acordo com o presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária, Benedito Fortes de Arruda, no início desse ano, quando ocorreram desastres com inundação em Alagoas os médicos veterinários também atuaram voluntariamente na região. E estes trabalhos mostram à sociedade o papel que o médico veterinário desempenha no campo social.

Fonte: Conselho Federal de Medicina Veterinária - CFM

sábado, 5 de dezembro de 2015

Tratado de Marraqueche, uma oportunidade para as pessoas com deficiência visual

Com o tratado, deficientes visuais terão mais acesso à cultura,
através de obras transformadas em modo acessível.
     Depois de aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, a presidente Dilma Rouseff ratificou o Tratado de Marraqueche, que tem o objetivo de facilitar o acesso de pessoas com deficiência visual a obras literárias. A próxima etapa será a entrega do documento na sede da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, na Suíça, já na próxima semana.

     O Tratado de Marraqueche entrará em vigor depois de ratificado em 20 países. Atualmente, outros 11 já estão nessa condição: Argentina, Coreia do Sul, El Salvador, Emirados Árabes Unidos, Índia, Mali, México, Mongólia, Paraguai, Cingapura e Uruguai. As nações que aderirem ao acordo se comprometem a criar dispositivos na legislação nacional para que obras, como livros e outros materiais em formato de texto e ilustrações correlatas, possam ser reproduzidas e distribuídas em formatos acessíveis, como o Braile, o Daisy ou mesmo em audiolivro, sem a necessidade de autorização do titular de direitos autorais.

     Para o presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil, Moisés Bauer, a perspectiva é que, com o tratado em vigor, mais de 300 milhões de pessoas com deficiência visual sejam beneficiadas nos países participantes. O tratado poderá ampliar esse acervo com a previsão do trânsito fronteiriço, ou seja, os países poderão compartilhar obras que já foram transformadas em meio acessível. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

LER&SER: "Prometo Falhar" - Pedro Chagas Freitas

     Prometo Falhar é um livro que fala de amor. O amor dos amantes, o amor dos amigos, o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe, pelo pai, o amor que abala, que toca, que arrebata, que emociona, que descobre e encobre, que fere e cura, que prende e liberta. Em crônicas desconcertantes, Pedro convida o leitor a revisitar suas próprias impressões sobre os relacionamentos humanos.

     A linguagem fluída, livre, sem amarras, faz querer ler tudo de uma vez e depois ligar para o autor para terminar a conversa. Medo, frustração, inveja, ciúme e todos os sentimentos que nos ensinaram a sufocar são expostos sem pudores.

     Mergulhe de cabeça numa obra que mostra que é possível sair ileso de tudo, menos do amor. Você escolhe a ordem em que vai ler as crônicas do jovem escritor que tem 21 obras publicadas e é sucesso de vendas em Portugal.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

QUINTA FEMININA: Tia Ciata e o início do samba

A baiana Tia Ciata conquistou o respeito na cidade do Rio de
Janeiro, algo incomum para os moradores negros da época
     Hilária Batista de Almeida, ou popularmente conhecida como Tia Ciata, foi uma cozinheira e mãe de santo brasileira, considerada por muitos como uma das figuras mais influentes para o surgimento do samba carioca. E ontem, 2 de dezembro, foi dia de comemorar este gênero musical.

     Nascida em Santo Amaro da Purificação, em 1854, também ficou conhecida como uma das principais animadoras da cultura negra nas nascentes favelas cariocas. Ela era a dona de uma casa onde se reuniam sambistas. Foi lá que se deu a criação do primeiro samba, Pelo Telefone, gravado em disco, e assinado por Donga e Mauro de Almeida. Tia Ciata era a mais famosa dentre as Tias Baianas que deixaram Salvador por causa das perseguições policiais, no início do século. 


Seu marido morreu em
1910, época em que ela
já havia conquistado o
seu lugar de estrela no
universo do samba
     Quando tinha 22 anos, levou o samba de Roda baiano para o Rio de Janeiro. Logo na chegada ao Rio, conheceu Norberto da Rocha Guimarães, de quem engravidou, mas cujo romance não foi adiante. Para sustentar a filha Isabel, começou a trabalhar como quituteira, sempre paramentada com suas vestes de baiana. Era na comida que ela expressava suas convicções religiosas, ou seja, sua fé no candomblé, religião proibida e perseguida naqueles tempos. O tabuleiro era famoso e farto.

     Mais tarde, Tia Ciata casou-se com João Batista da Silva, e deste casamento resultaram 14 filhos. Recebia todos os finais de semana em sua casa, nos pagodes, como eram conhecidas as festas dançantes, regadas à música da melhor qualidade e seus quitutes.

     Foi em sua casa que se reuniram os maiores compositores e malandros, como Donga, Sinhô e João da Baiana, para os saraus. A casa da Tia Ciata na Praça Onze era tradicional ponto de encontro de personagens do samba carioca, tanto que nos primeiros anos de desfile das escolas de samba, o cortejo era obrigado a passar diante de sua casa.


A nata do samba carioca reunia-se na casa da Tia Ciata

     Além da venda dos doces, Tia Ciata alugava as roupas de baiana para os teatros, a fim de serem usados como figurinos das peças e para o Carnaval dos clubes. Nesta época, mesmo os homens, se vestiam com as suas fantasias, se divertindo nos blocos de rua. E por isso, muitos moradores da Zona Sul, da alta sociedade, passaram a frequentar a casa de Tia Ciata. Era nestas festas que ela dava consultas com seus orixás. Sua casa é uma referência na história do samba, do candomblé e da cidade.

     Durante o Carnaval, armava uma barraca na Praça Onze, reunindo dede trabalhadores até a fina flor da malandragem. E por lá, eram lançadas as músicas, as conhecidas marchinhas, que ficariam famosas no Carnaval do Rio de Janeiro.

     Tia Ciata morreu em 1924, mas até hoje é parte fundamental da memória do samba.

Fonte: Wikipedia