domingo, 7 de junho de 2015

Cidades criam eventos com as comidas de caminhão

Modelos podem variar de acordo com o gosto e bolso
Esqueça os carrinhos de cachorro-quente. Pense grande, muito grande, porque a moda, há algum tempo, são os food trucks, veículos utilitários ou caminhões que se transformam em restaurante a céu aberto, cuja cozinha chega a ser até mais sofisticada que muitos restaurantes de bloco e cimento por aí. 

Desde 2013, o macarrão não vem da cantina italiana. O temaki não vem de um restaurante japonês. A comida agora vem do caminhão. De dois anos para cá a procura explodiu. Todo mundo quer ser chef de cozinha de caminhão. 

Passageira ou não, a tendência, fruto da cultura americana, parece que veio pra ficar, ou fixar-se nas ruas das principais cidades. E tem gente ganhando bastante dinheiro com a venda de comidas e com a transformação desses veículos para o mercado gourmet.

E por não ser tão comum encontrar os food trucks nas pequenas cidades, um grupo resolveu investir em feiras especializadas que agrupam todos eles num único espaço.

Por isso, quem pensa em iniciar no ramo, terá que investir um bom dinheiro; a depender do negócio, o valor para preparar o automóvel pode variar de R$ 50 mil e ultrapassar os R$ 150 mil, sem contar o valor do próprio veículo. A Van Fiat Ducato é a preferida, devido ao bom preço; a partir de R$83 mil. No entanto, a Kombi continua a ser a mais procurada. O serviço acrescenta de 500 a 700 quilos extras nos automóveis; em alguns casos é aconselhável  reforçar a suspensão. Um caminhão completo pode ultrapassar R$ 300 mil, e mesmo assim tem fila de espera nas empresas especializadas.

Para investimentos mais ambiciosos, o baú de um caminhão favorece a instalação de cozinhas maiores, capaz de comportar fogão, pia, balcões e armários. Os materiais mais usados são alumínio, inox, fibra de vidro e poliuretano.

Depois de pronto o veículo, a etapa seguinte é adquirir as licenças para rodar pela cidade e vender a comida. Algumas feirinhas especializadas alugam o ponto por um valor que pode ir além de R$ 1 mil a diária.

sábado, 6 de junho de 2015

Brasil tornou-se um país menos desigual nos últimos 50 anos, avalia estudo

Avenida Paulista em 1976. Ao fundo, construções dos Bancos Real e Tokyo 
Se você tem mais de 50 anos de idade, provavelmente tenha conseguido perceber mudanças consideráveis no Brasil de 1960 para cá. Segundo levantamento do Centro de Estudos da Metrópole, apresentado no livro Trajetórias da Desigualdade - Como o Brasil 
mudou nos últimos 50 anos, o Brasil se tornou um país menos desigual em vários aspectos. No entanto, ainda persiste a desigualdade entre brancos e negros no mercado de trabalho. O Brasil de 2010 é um país menos desigual que o Brasil de 1991. O trabalho é o primeiro grande balanço produzido pelas ciências sociais sobre as transformações pelas quais o Brasil passou em meio século. Inclusive, esse estudo contrariou as expectativas das ciências sociais. "Existia um bom-senso antigo, mais ou menos estabelecido, de que, num país como o Brasil, isso nunca aconteceria", comenta Marta Arretche, diretora do CEM, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, FFLCH, da Universidade de São Paulo.


Rua Conselheiro Crispiniano, região central de SP, em 1960
A universalização do direito ao voto, do acesso ao ensino fundamental e a expansão dos serviços como a água encanada e a energia elétrica derrubaram barreiras que, 25 anos atrás, excluíam grupos sociais e moradores das regiões Norte e Nordeste do mapa de desenvolvimento do país. Ainda resistem desigualdades importantes no mercado de trabalho: homens ainda ganham mais que as mulheres e brancos estão melhor colocados que negros. A propósito, a desigualdade entre brancos e negros foi a que teve a menor redução, inclusive na escolaridade.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores do CEM fizeram tabulações próprias dos dados dos Censos Demográficos de 1960, 1970, 1980, 1991, 2000 e 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. A grande vantagem brasileira, segundo a diretora, é que por aqui, "temos uma grande disponibilidade de dados, que são abertos e públicos, o que não acontece em muitos países, inclusive alguns desenvolvidos. Temos acesso a dados de longo prazo, que permitem realizar estudos que mostram as grandes transformações pelas quais o país passou". 


Rua Augusta, nos tempos atuais
E por que pensar em desigualdade como parâmetro de garantia na melhora do brasileiro? Porque tradicionalmente, a ciência social define a desigualdade de renda como meio de avaliação; apesar de que o termo "desigualdade" abrange um conceito de multi-dimensional. "A renda não esgota as dimensões da desigualdade; ela é expressão de outros fatores.  Por isso, o livro consegue mostrar como as desigualdades são afetadas pela participação política, pelo acesso à educação, ao mercado de trabalho, pelas migrações, questões de gênero, relações raciais, saúde, religiosidade, condições de habitação e de infraestrutura urbana. 

A pesquisa mostra um Brasil que, em 1960, era majoritariamente rural e com ofertas de trabalho muito concentradas nas regiões Sul e Sudeste. A mão de obra abundante e com baixa escolaridade da década de 60 já não existe mais. O trabalho confirma a importância das políticas públicas para a redução das desigualdades. Segundo a diretora, a política educacional a partir do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso produziu um efeito de diminuição das desigualdades de acesso à escola e, posteriormente ao mercado de trabalho. No governo do ex-presidente Luis Ignácio Lula da Silva, os principais avanços foram na redução da extrema pobreza e na redução das desigualdades regionais, com avanços nas regiões Norte e Norde, principalmente. A grande massa de dados está disponível no site do CEM (www.fflch.usp.br/centrodametropole).

Fonte: Site USP
Foto 1: Acervo São Paulo Antiga
Foto 2: Marvine Howe/Associated Press
Foto 3: Internet

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Uso do cinto de segurança traseiro ainda não é hábito entre os brasileiros

Uso impede que os passageiros sejam projetados para frente 
Hoje, grande parte dos brasileiros acostumaram-se a usar o cinto de segurança...no banco da frente. Porque, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, metade dos brasileiros não usa o cinto de segurança no banco de trás; apenas 50,2% da população têm o hábito de colocar o cinto no banco traseiro. Em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, a pesquisa aponta que essa parte da população afirmou sempre usar o item quando está no banco traseiro. 

O cinto na parte traseira reduz mais o risco de morte, pois em uma colisão, impede que os corpos dos passageiros sejam projetados para frente, atingindo o motorista e o carona. Segundo estudos, esse redução chega a 75%. No banco da frente, o número cai para 45%, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego. Em 2013, um estudo da Rede Sarah, apontou que 80% dos passageiros do banco da frente deixariam de morrer se os cintos do banco de trás fossem usados com regularidade.

As regiões Norte e Nordeste foram as que apresentaram índices mais preocupantes, pois 36,7% e 39,5%, respectivamente, dos passageiros não usam o cinto; enquanto que os moradores do Sul mostraram ter mais consciência com relação ao uso do item, com um índice que chega a 65,1%. O cenário se repete quando a questão é sobre o uso do cinto de segurança no banco da frente.

A pesquisa serve de base para que o Ministério da Saúde possa traçar suas políticas públicas para os próximos anos.

Fonte: Ministério da Saúde

quinta-feira, 4 de junho de 2015

QUINTA FEMININA: Marilyn Monroe: a diva das divas

Marilyn adorava ler autores célebres como Ernest Heminway
Ela era linda. Símbolo máximo da beleza e sensualidade, Marilyn Monroe, se viva estivesse, teria completado há dois dias, em 01 de junho, 89 anos de idade. Eternizada, ela continua viva na memória de fãs que deixou ao longo de uma vida de alegrias, tristezas, romances e decepções. E encerrada com uma tragédia, sua morte, até hoje é cercada de mistério.

Nasceu Norma Jeane Mortense, filha de mãe solteira e instável. A americana Norma morou dos 9 aos 11 anos em um orfanato, e era descendente, por parte de mãe, do ex-presidente James Monroe. Trabalhou em uma fábrica de munições. Posou como pin-up. Tornou-se Marilyn Monroe em 1946. Fez teste no cinema e foi dispensada pela Century Fox ao completar 20 anos de idade. 

Persistente, lutou por papéis pequenos em diversos estúdios, antes de se destacar em O Segredo das Joias (1950). Sua sensualidade voluptuosa e jeito para comediante fizeram-na subir de forma meteórica. O reconhecimento veio como a loira fatal em Os Homens Preferem as Loiras (1953).

Marilyn personificou o glamour hollywoodiano com incomparável com incomparável brilho e energia que encantaram o mundo. Muito mais que um símbolo sexual, sua aparente vulnerabilidade  e inocência, junto com sua inata sensualidade, a tornaram querida no mundo inteiro. Em 1999, foi eleita a Mulher Mais Sexy do século, pela revista People.

Uma vida além das cinema

Marilyn foi casada três vezes. James Dougherty (1942 a 1945), com o jogador de baseball Joe DiMaggio (1954) e o dramaturgo Arthur Miller. 

Em 1962, aos 36 anos, sua vida chegava ao fim. Marilyn foi encontrada morta em seu quarto. Ao lado dela, havia um frasco de remédio para dormir, o que levou a suspeita de que ela havia sofrido uma overdose - intencional ou acidentalmente. Sua morte por overdose de barbitúricos, em agosto de 1962, fez com que se tornasse um mito.

Mistério

A morte da atriz entrou para a lista das mortes que escondem certo mistério, abrindo um leque para várias teorias. Uma delas é a que ela tirou a própria vida depois de ouvir que o presidente Kennedy queria terminar o romance com ela. Outras sugerem que a morte não foi um suicídio; sua ligação com o clã Kennedy e com o chefe da máfia, Sam Giancana, fez dela uma ameça à segurança nacional, sugerindo um suposto homicídio.


A atriz tinha o hábito de lavar o rosto 15 vezes ao dia
O outro lado da diva

Em 2012, ano do lançamento do filme que retratava parte de sua vida - Sete Dias com Marilyn -  a revista Exame publicou alguns fatos da vida da atriz que ficaram camuflados por trás da lenda.

Na época do seu primeiro divórcio, a atriz começou sua carreira de modelo e seu primeiro trabalho teve a remuneração de apenas 5 dólares.

No início da carreira, tinha pouca habilidade com a escrita. E nas primeiras vezes em que deu autógrafos, a musa chegou a perguntar como soletrava o primeiro nome, por não saber onde colocar a letra "i".

Quando cantou para o presidente John F. Kennedy, "Happy Birthday To You", em maio de 1962, usou um vestido que fora costurado em seu próprio corpo, de tão apertado que era, e não usou roupas íntimas. E a forma sensual com que cantou para o presidente não foi intencional, segundo a irmã do seu terceiro marido informou na ocasião. A atriz estava atrasada  para entrar no palco e, por isso, teve que correr. Ofegante, ela foi para a frente da plateia e cantou, aparentando ser mais provocativa do que pretendia. Em 1999, este vestido foi vendido em um leilão por 1,26 milhão de dólares.

Em 2008, uma fita de vídeo em que Marilyn aparece fazendo sexo oral com um homem não identificado foi vendida por 1,5 milhão de dólares a um empresário que não quis revelar sua identidade, que fez questão de trancá-la a sete chaves para que o conteúdo não caísse na internet.

Até os seus 29 anos de idade, Marilyn já havia feito pelo menos 12 abortos. Criada na religião Ciência Cristã, converteu-se ao judaísmo para se casar com seu último marido, Arthur Miller.

Frases Imortalizadas

Uma garota sábia beija mas não ama, escuta mas não acredita e parte antes de ser abandonada.

Se você consegue fazer uma garota rir, você consegue fazer ela fazer qualquer coisa.

Não me alimento de "quases", não me contento com a metade! Nunca serei sua meio amiga, ou seu meio amor..é tudo ou nada.

Mulheres comportadas raramente fazem historia.

Foto: Internet
Foto 2: Site pessoal

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Prefeitos adotam práticas semelhantes quando aproxima-se o período eleitoral

Estudo foi feito com mais da metade das cidades do Brasil
Um estudo feito em 3.393 municípios brasileiros, no período de 2001 a 2008, constatou uma semelhança entre seus gestores. Quando se aproxima o período eleitoral, prefeitos de primeiro mandato e que podem disputar a reeleição reduzem impostos locais e mudam a composição orçamentária do município, reduzindo despesas correntes e aumentando os investimentos públicos. Realizado pelo professor Sergio Sakurai, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto, FEARP, e pelo ex-professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, ambas da Universidade de São Paulo, Fabio Alvim Klein, o estudo foi divulgado no artigo Term limits and political budget cycles at the local level: evidence from a young democracy, publicada na revista European Journal of Political Economy e premiado na 3ª edição do Prêmio Ministério da Fazenda de Economia. 

Comparados a prefeitos que já estão em segundo mandato e que, por isso, não podem se reeleger, os prefeitos em primeiro mandato gerem os gastos públicos de maneira diferente. O prefeito que pode se reeleger cobra menos imposto, porque o imposto é impopular. Para estes, o valor dos impostos municipais pagos por habitante é, em média, igual a R$ 82,50 em anos eleitorais, e igual a R$ 84,15 em anos não eleitorais. Ao passo que para prefeitos em segundo mandato ocorre o oposto: o valor dos impostos municipais pagos por habitante é, em média, igual a R$ 83,75 em anos eleitorais e igual a R$ 82,85 em anos não eleitorais.

A maior diferença na gestão de prefeitos de primeiro e segundo mandato ocorre durante o ano eleitoral. É no último ano do primeiro mandato que ela fica mais evidente, com a chamada manipulação oportunista; aquela com fins eleitorais.

Investimentos marketeiros

Para fazer investimentos públicos e manter a responsabilidade fiscal das contas da prefeitura, o gestor corta gastos correntes como o material de consumo e pagamento de terceirizados. E estes investimentos geralmente são obras de visibilidade, como construção de creches e escolas, asfaltamento, ciclofaixas, entre outros.

Reeleição

Diante da atual discussão a cerca da Reforma Política, para o professor, a pesquisa ajuda a trazer mais informações para o debate sobre reeleição. A atual proposta extingue a reeleição e prevê a extensão de cinco anos para cargos do executivo. A sociedade precisa analisar a reeleição e saber os custos que isso pode acarretar.

Fonte: Agência USP

terça-feira, 2 de junho de 2015

Você sofre de oniomania?

Doença atinge principalmente as mulheres. Há tratamento para o transtorno
Se para você o verbo comprar assombra o seu pensamento a todo instante e o ato da compra já ultrapassou a barreira da obtenção do status, da necessidade ou do modismo, cuidado! Você pode sofrer de oniomania e nem se dar conta, pois você é um consumidor compulsivo.

A oniomania, doença que ataca esse tipo de compulsivo, é caracterizada como um transtorno de personalidade e mental, classificado dentro dos transtornos do impulso. Para o consumidor compulsivo, o que lhe excita é o ato de comprar, e não o objeto comprado. Segundo explica o neuropsicólogo Daniel Fuentes, e coordenador de Ensino e Pesquisa do Ambulatório do Jogo Patológico e Outros Transtornos do Impulso, AMJO, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, FMUSP, a pessoa tem vontade de adquirir, mas não de ter. Um transtorno com prevalência estimada em 5% da população geral. Em sua maioria, as mulheres são as que mais apresentam o transtorno, mas no geral, todos os portadores possuem temperamento forte, são ágeis, dinâmicas, inquietas, perfeccionistas, possuem uma desenvoltura social e cultural maior, são imediatistas e muito inteligentes. Mas essa inteligência não é exercida antes da compra, mas depois dela, reconhecendo que "fizeram besteira" porque compraram além da necessidade. Pessoas com oniomania também podem apresentar outros transtornos psiquiátricos associados, como ansiedade, depressão e transtorno bipolar

Equivocadamente, muitas pessoas acreditam que os compulsivos compram por problemas emocionais. A depressão até está ligada ao comportamento, mas não é o que determina o impulso para a compra. As pessoas compulsivas, mesmo quando tratadas com medicamentos antidepressivos, não deixam de ter seus impulsos e, quando conseguem se recuperar, passam por uma crise de abstinência parecida com a dos usuários de drogas pesadas.

Os compulsivos contraem dívidas de até dez vezes a sua renda mensal. Quando são privados de meios de comprar, chegam até a roubar. Essas pessoas, até então, eram honestas e se deixaram levar pelo impulso de comprar. Não é um defeito de caráter, é uma doença.

Propaganda, a inimiga dos compulsivos

Apesar de vivermos numa sociedade que nos cerca de propagandas o tempo todo, isso não é o principal motivo para uma pessoa tornar-se compulsiva. Mas os compulsivos são presas fáceis do marketing, apesar de que ele não tem esse propósito; sua intenção é atingir todo e qualquer consumidor. Às vezes, um produto em destaque no supermercado, leva o compulsivo a adquiri-lo; no entanto, ele poderia comprar qualquer outro produto, pois o impulso que lhe faz comprar independe do que ele vai adquirir. No caso de compras pela TV ou internet, há muita devolução do produto justamente porque ele não é o mais importante no ato da compra. Quando o produto chega em casa, a pessoa percebe que comprou algo inútil e o devolve.

Tratamento 

O Instituto de Psiquiatria dispõe de ambulatório para tratamentos de homens e mulheres de 21 a 60 anos de idade, que apresentem que apresentem comportamento repetitivo e crônico de gastar descontroladamente. Serão oferecidos tratamentos médico/medicamentoso e psicoterápico gratuitos.

Mais informações: 11- 2661-7805



segunda-feira, 1 de junho de 2015

O poder retórico-argumentativo das doutrinas religiosas

Em tempos em que temos, num país tido como laico, um Congresso Nacional, onde bancadas religiosas tentam - e conseguem - impôr seus discursos com reprovação de leis que duelam com seus princípios religiosos, vemos o quão se torna difícil o país avançar em questões polêmicas.

E embora as religiões sejam, muitas vezes, contestadas e acusadas de fundamentalismo ou irracionalidade, o mundo nunca esteve tão dependente de suas doutrinas. Segundo relatório de 2013 do Center of the Study of Global Christianity, ligado à Universidade de South Hamilton, em Massachucets, nos Estados Unidos, 88% das pessoas do planeta se declararam adeptas de algum culto religioso. 

Para tentar entender este fenômeno, o Grupo de Estudos de Retórica e Argumentação, o Gerar, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, FFLCH, da Universidade de São Paulo, organizou no último dia 14, o seminário Discurso Religioso: Possibilidade Retórico-Argumentativas, a fim de buscar respostas para descobrir o que leva as religiões a angariarem tantos seguidores. Que elementos textuais estão presentes em suas doutrinas? 

Para o professor Paulo Augusto de Souza Nogueira, da Universidade Metodista de São Paulo, a religião representa um novo sistema de linguagem. Ela cria seus próprios conceitos e se torna uma segunda linguagem que molda o mundo. O professor compara o discurso religioso a temáticas culturais como cinema, teatro e poesia, que também tem status de linguagem. Uma vez atingido esse status, o discurso religioso ganha o poder de articular e moldar a visão das pessoas. E se aproveitando desse discurso, "os religiosos procuram legitimar a ocupação religiosa do espaço público e da esfera pública", apontou, enfatizando que os grupos seculares defendem a rigorosa separação entre Estado e igrejas.

O professor Isaar Soares de Carvalho, doutor em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, ao comentar sobre a relação entre a religião e o Estado, mostrou como aspectos do discurso religioso podem ser usados como forma de legitimação do poder. Como exemplo, cita o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679), que buscou nas Escrituras Bíblicas argumentos que validem o absolutismo.

Capacidade de convencer


"Quem fala vai escolher os recursos apropriados", diz Lineide
Um dos aspectos do poder de persuasão das religiões pode ser explicado pela facilidade de compreensão das doutrinas. Isso pode também ser explicado através da forma como é apresentado o discurso. O professor João Cesário Ferreira, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, abordou a questão do contexto em que ocorre a fala, apontando elementos como a gestualidade, a expressão, a mímica e a movimentação em cena. Segundo ele, tudo isso faz parte desse cenário de construção do sentido, baseando-se na ideia da ação, da experiência.

Mas para que a mensagem do pregador contagie de fato o público, este deve, antes de tudo, ser receptivo ao que está sendo dito. "Em qualquer tipo de discurso, toda a estratégia é feita no sentido de que o receptor aceite. Mesmo no discurso da Ciência, o cientista tem que convencer os seus pares", acredita a fundadora e coordenadora do Gerar, a professora Lineide Mosca. Para ela, o auditório é um dos aspectos mais importantes da pregação. É uma peça sem a qual não há nenhum discurso. Como exemplo, a professora apresenta Padre Vieira e Santo Agostinho, grandes pregadores que possuíam o dom de contagiar os ouvintes, utilizando-se da retórica e dos recursos da ação.

E em se tratando de retórica, a coordenadora do Gerar diz que o senso-comum enxerga a retórica como sinônimo de belos discursos e de falas difíceis, o que é uma visão errônea. Porém, nem sempre a fala atinge completamente seu objetivo. "Quando a gente fala de retórica, fala de convencimento e persuasão. Você pode convencer, mas pode não ter conseguido persuadir", avalia. Persuasão é quase sinônimo de adesão. Por isso, as doutrinas, na tentativa de convencer os ouvintes, não trabalham apenas no sentido de agregar seguidores. O pregador tem essa convicção de que o que prega é bom para todos. A retórica e a argumentação são elementos essenciais para a construção de opiniões e a saudável troca de ideias. Todas as questões são polêmicas. Por isso, o lugar próprio da argumentação é o lugar da controvérsia, porque onde há consenso absoluto não há necessidade de argumentação.

Algumas leis propostas pelos evangélicos Brasil afora, segundo o blog Permanecer e Compartilhar

- Lei da Calcinha - obriga as noivas a se casarem com a roupa íntima e regula o decote do vestido (Vila Velha - ES)
- Lei do Pai-nosso - obriga professores e alunos a orar antes do início das aulas na rede pública (Ilhéus - BA)
- Não beberás - proíbe a existência de bares a menos de 300 metros de uma igreja para garantir a paz dos cultos (Sorocaba, SP)
- O púlpito é pop - Declara o púlpito evangélico um patrimônio imaterial da cidade (São Paulo - SP)

Fonte: Site da USP