Ela vai despertar depois de ter tido o seu pior pesadelo, achando que aquele tinha sido o seu pior pesadelo, embora aquele fosse só o prenúncio do pior pesadelo que estaria por vir.
segunda-feira, 19 de setembro de 2022
Conto de Segunda: Virgínia, a loba solitária
quarta-feira, 14 de setembro de 2022
Noite de estreia do Curta Suzano expõe dificuldades dos atores negros no audiovisual. Exibição dos filmes da mostra segue até sexta-feira
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| Ao lado do escritor Escobar Franelas, (à esq.) um dos coordenadores do Curta Suzano, o ator Adolfo Moura, convidado especial no primeiro dia da mostra/Foto: Elisa Marina |
Racismo, discriminação nos testes de elenco, ausência de um protagonismo negro no audiovisual. Todos esses temas sustentaram a fala do ator gaúcho Adolfo Moura durante sua participação como convidado especial na abertura do 6º Curta Suzano – Mostra de Curtas-metragens do Alto Tietê, na noite da última terça-feira. No entanto, quando questionado do seu posicionamento sobre a escolha de atores negros para personagens de menos destaque no cinema ou na televisão como se a eles coubessem apenas papéis secundários, o ator apresentou um olhar peculiar acerca dessa polêmica. "O problema é quando não se constrói uma historia com seus respectivos conflitos para estes personagens. O empregado tem uma família, tem seus dramas particulares, e por que deixá-lo com um ‘enfeite’, que está ali apenas para servir à família”, enfatizou Adolfo Moura.
O Curta Suzano,
em sua 6ª edição, tem se tornado uma referência do audiovisual quando se propõe a dar protagonismo à região do Alto Tietê. “Precisamos produzir para contar a nossa própria
história”, com essas palavras, o secretário de Cultura de Suzano, o
vice-prefeito Walmir Pinto, sintetizou sua visão da importância que o Curta Suzano representa para as doze cidades que
compõem a região.
Do cinturão verde de Mogi das Cruzes, passando pela Fonte Áurea de Poá, e chegando à Igreja do Baruel em Suzano, o Alto Tietê representa uma população de aproximadamente 2.900.000 habitantes. E que quando volta seu olhar para si, é capaz de produzir todos os anos centenas de filmes competitivos, o que pode ser conferido nos 41 filmes selecionados para a mostra, incluindo aí também curtas-metragens de outros estados e que concorrem na categoria Panorama Brasil.
As exibições desses curtas começaram ontem, e se estenderão até a próxima sexta-feira. No sábado, data da premiação, estão programados a realização de uma oficina de produção audiovisual,
e um bate-papo com o ator Alexandre Rodrigues, o Buscapé do filme Cidade de
Deus, e a cineasta Viviane Ferreira, que dirigiu o Comitê Brasileiro de Escolha do
Oscar em 2021.
Acompanhe a programação completa em: www.curtasuzano.com.br
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| Estatuetas criadas por Koral Alvarenga foram produzidas com madeira e papelão/Foto: Divulgação |
Partindo da imagem de um corpo humano sem gênero definido, a artista da tecnologia Koral Alvarenga se apropriou de seu
estilo, que se conecta entre o digital e o físico, para criar as
estatuetas da premiação do Curta Suzano.
“Desenvolvi a modelagem 3D e depois usei uma técnica de fatiamento na qual eu poderia usar uma máquina de corte a laser para cortar materiais de forma igual e seriada. E depois fui para uma pesquisa de materiais que podiam ser utilizados nessa máquina e descobri o papelão. Após alguns testes, percebi que precisaria também usar a madeira para dar à obra resistência e durabilidade”, explica Koral, que adequou a produção das estatuetas à proposta dos organizadores da mostra no que tange à confecção das esculturas da premiação, que é a utilização de materiais recicláveis.
“Eu entrei em conta com empresas de madeira, e com esse material eu
criei a estrutura do trabalho, mesclando a madeira reaproveitada e o papelão de
caixas de supermercado. Depois, toda a parte de montagem é feita manualmente
assim como a pintura. O nome desse trabalho é Identidades Neo Urbanas 5.0”,
finaliza Koral.
Texto: Elisa Marina
sexta-feira, 9 de setembro de 2022
6ª edição do Curta Suzano acontece na próxima semana com a presença do ator Adolfo Moura
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| No papel de Cartola, o ator Adolfo Moura dividiu o palco com Gero Camilo, Nilcéia Vicente e Victor Mendes na peça Razão Social(2017)/Foto: Divulgação |
De 13 a 17 de setembro acontece a 6ª edição do Curta Suzano – Mostra de Curtas-metragens do Alto Tietê, só que dessa vez de modo presencial, diferente do ocorrido nas duas últimas edições apresentadas de modo virtual em razão da pandemia de Covid-19. “Para nós, a sexta edição é como se fosse a primeira, e isso nos provoca uma enorme ansiedade”, é como define Escobar Franelas um dos coordenadores da mostra.
Na
primeira noite, dia 13, o ator Adolfo Moura é o artista convidado para bater um
papo com o público presente, um ator negro cuja presença vai ao encontro da
razão de ser do próprio Curta Suzano, que é dar visibilidade ao trabalho de
pessoas pretas, indígenas, às mulheres, como também pessoas LGBTQIAP+. “Nosso
diferencial é apresentar outra faceta do cinema, onde essas pessoas têm vez
para dar voz às suas produções”. Não por acaso, é uma mulher quem assina a criação
das estatuetas da premiação, no caso, a artista multimídia Koral Alvarenga. “Buscamos
por artistas que imprimam nessas obras uma mensagem que esteja dentro da nossa
procura pela inclusão. Os troféus, criados com exclusividade para o Curta Suzano, obedecem
às nossas premissas: serem confeccionados com material sustentável, e que estas
obras tragam algum tipo de referência sobre o Alto Tietê, seja através de uma
marca simbólica, mitológica ou estética”. Escobar conta que Koral foi além, “ela
nos apresentou uma proposta totalmente multimídia, com uma produção feita toda
de forma digital e impressa em 3D, o que adequou-se ao nosso orçamento, sem desvalorizar
o trabalho dela”.
Se para
os organizadores do Curta Suzano realizar essa edição tem causado certo
frisson, é possível supor o quanto que diretores, atores, roteiristas, atrizes,
produtores, estejam muito mais ansiosos para mostrar ao público as suas
produções.
Texto: Elisa Marina
6º
Curta Suzano – Mostra de Curtas-metragens do Alto Tietê
De 13 a 17 de setembro de 2022
Evento gratuito
Programação
13/9 – Abertura – 19h
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano
Convidado especial: ator Adolfo Moura
Música:
Dom Vinera (participação de Paulo Miranda)
14/9 – 10h
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano
SESSÃO SANTA ISABEL - Classificação Livre
Através dos sentidos - Gilson Nascimento (Rio Janeiro-RJ) 15´ - L
Yabá
- Rodrigo Sena (Natal-RN) 12´ - L
Meu
nome é Maalum - Luísa Copetti (Rio Janeiro-RJ) 8´ - L
TOTAL: 45´
Cineteatro Wilma Bentivegna – 14h
R. Paraná, 70, centro de Suzano
SESSÃO MOGI DAS CRUZES - Classificação Livre
Penélope - Luciana Jacob (Piracicaba-SP) 15´ - L
Duas - Ana Cavazzana (Curitiba-PR) 20´ - L
TOTAL: 52´
Cineteatro
Wilma Bentivegna – 17h
R. Paraná,
70, centro de Suzano
SESSÃO ARUJÁ -
Classificação Livre
Durante o banho - Gabriel Ferreira (Guarulhos-SP) 10´- L
Escrevendo o mundo - Daniel Neves (Guarulhos-SP) 25´- L
Outdoor - Rafael dos Anjos (Guarulhos-SP) 5´- L
Silenci(AR) - Felipe Lima (Suzano-SP) 7´- L
TOTAL: 58´
Cineteatro
Wilma Bentivegna – 19h30
R.
Paraná, 70, centro de Suzano)
SESSÃO SANTA BRANCA - Classificação indicativa 12
anos
Ensino fundamental - Lucas Scupino (São Paulo-SP) 13´- 10 anos
Guiné - Danilo Cica e Sheila dos Anjos (São Paulo-SP)
13´ - 10 anos
O braço dela - Eduardo Chaves (Niterói-RJ) 14´ - 10 anos
Total: 60´
15/9
Centro Cultural. Francisco Carlos Moriconi
– 10h
R. Benjamin Constant, 682, centro de
Suzano
SESSÃO SALESÓPOLIS - Classificação Livre
Maia - Renato
Prado (Curitiba-PR) 16´ - L
Ana Rúbia - Diego Baraldi e Íris Alves Lacerda (Rondonópolis-MS) 18´- L
TOTAL: 50´
Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi
R. Benjamin Constant, 682, centro de
Suzano - 14h
SESSÃO ITAQUAQUECETUBA - Classificação Livre
Lina - Melise
Fremiot (Nova Iguaçu-RJ) 25´ - L
Madá - San Marcelo (Bragança-PA) 22´ - L
TOTAL: 50´
Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi
R. Benjamin Constant, 682, centro de
Suzano - 17h
SESSÃO FERRAZ DE VASCONCELOS - Classificação Livre
Juízo, menino… - Diego
dos Anjos (Rio de Janeiro-RJ) 25´ - L
TOTAL: 48´
Centro Cultural Francisco Carlos Moriconi
R. Benjamin Constant, 682, centro de
Suzano - 19:30h
SESSÃO GUARAREMA - Classificação 14 anos
Inhuman - Kadu Sasso (Suzano-SP) 3´- L
O desconhecido - Allan Gonçalves (Mogi das Cruzes-SP) 7´- L
O navio do universo - Renato Queiroz e Daniel Neves (Guarulhos-SP)
22´- L
Vazão - Michelle Brito e Guillermo Alves (Ferraz de Vasconcelos-SP) 18´ - 14
anos
TOTAL: 60´
16/9
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano - 10h
SESSÃO POÁ -
Classificação Livre
A grande luta - Júlio Sales (Belo Horizonte-MG) 25´- L
Veneno - Kauan Oliveira (Vitória da Conquista-BA) 22´ - L
TOTAL: 50´
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano - 14h
SESSÃO GUARULHOS - Classificação Livre
Entre muros - Gleison Mota (Feira de Santana-BA) 15´- L
Da janela vejo o mundo - Ana Catarina Lugarini (Curitiba-PR) 15´- L
TOTAL: 48´
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano - 17h
SESSÃO BIRITIBA MIRIM - Classificação Livre
Perdidos em Casa - Nicolás Ignacio (Suzano-SP) 15´- L
Ponto e Vírgula - Carol Dantas (Guarulhos-SP) 10´- L
Reticências - Gael Teles (Guarulhos-SP) 14´- L
Um artista da fome - Moisés Pantolfi (Guarulhos-SP) 5´- L
TOTAL: 56´
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano - 19:30h
SESSÃO SUZANO - Classificação indicativa - 16 anos
Entreolhares - Ivan Willig (Pedra Azul-ES) 20´ - 16 anos
Eu te amo é no sol - Yasmim
Guimarães (Belo Horizonte-MG) 19´ - 16 anos
Total: 57´
17/9
10h - Oficina: Produção Executiva para
Audiovisual
Com Lico
Cardoso, roteirista, montador e produtor audiovisual
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano
15h - Oficina: Editais e Captação de Recursos
para Audiovisual
Com Binho
Perinotto, poeta, pedagogo (UNESP), consultor e gestor cultural
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano
17h - Bate papo com Alexandre Rodrigues, ator
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano - 18h
18h - Aula Magna com Viviane Ferreira, atriz, diretora e roteirista, presidente da APAN
(Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro) e do Conselho Brasileiro de
Seleção do Oscar 2021
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano
19h - Entrega dos prêmios
Cineteatro
Wilma Bentivegna
R. Paraná,
70, centro de Suzano
terça-feira, 23 de agosto de 2022
Elisa, a Lispector que grande parte do Brasil desconhece
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| Início na literatura ocorre aos 34 anos de idade. Parte do acervo da escritora pertence ao Instituto Moreira Salles/Foto: Blog do IMS |
A escritora, contista e jornalista Elisa Lispector nasceu Leah Pinkhasnova Lispector em 24 de julho de 1911, na cidade de Savran, a sudoeste da Ucrânia. Em razão da Revolução Russa de 1917, a família Lispector passou a sofrer com a perseguição aos judeus, por isso, em 1920, todos eles embarcaram em um navio com destino ao Brasil, em Maceió chegaram em 1922. Com exceção da irmã do meio, Tania, todos os demais mudaram de nome. Leah virou Elisa Lispector. O pai passou a se chamar Pedro; a mãe Mania, Marieta; e Haia, a caçula, Clarice. Três anos depois, a família mudou-se para o Recife, e por lá Elisa Lispector cursou a Escola Normal e o Conservatório de Música. Tempos depois, em 1935, a família deixa o nordeste e se muda para o Rio de Janeiro.
Fez carreira no serviço público federal, chegando a
representar o Brasil em uma reunião realizada no Peru para estudar os problemas
da mão de obra feminina na América Latina. Depois de aposentada, passou a
dedicar-se às colaborações em periódicos, como o Diário de Notícias.
Estreou na literatura em 1945, aos 34 anos de idade, com o romance Além da Fronteira. Elisa fazia uso de um monólogo interior com discursos irônicos em terceira pessoa. Com O Muro das Pedras (1963), obteve os prêmios José Lins do Rego, em 1963, e Coelho Neto, em 1964, concedido pela Academia Brasileira de Letras. Percorreu os caminhos da literatura, como Clarice, mas diferente da irmã, seus livros não se encontram nas livrarias do Brasil, e seu nome não ecoa por aí em postagens nas redes sociais com frases de efeito, como ocorre com Clarice Lispector, embora boa parte delas não seja de sua autoria, mas fazem Clarice tornar-se cada vez mais popular, mesmo entre os que jamais leram seus livros.
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| Da esq. para a dir., as irmãs Tania, Elisa e Clarice Lispector em fotografia tirada em 1920. Foto: Folha de S. Paulo |
No entanto, não cabe aqui qualquer tipo de comparação literária entre as irmãs; apesar de ser quase que inevitáveis abordagens dessa natureza. Mas sim dar protagonismo, pro ora, a Lispector autora de sete romances e três contos publicados e um inacabado.
De Elisa Marina para
Elisa Lispector, um encontro em 1978
Assim como a maioria dos brasileiros, eu, Elisa
Marina também escritora, contista e jornalista, desconhecia a literatura dessa
outra Elisa, a Lispector. Foi depois de assistir a uma peça de teatro baseada
nas cartas trocadas entre as irmãs Lispector, em razão das constantes viagens de
Clarice com o marido diplomata, Maury, e certamente também atraída pela
coincidência dos nomes, procurei por mais informações acerca da minha xará
nascida sessenta e três anos antes de mim, e que nos deixou quando eu não tinha nem quinze anos de idade, sem livros publicados mas com uma inquietação de escritora ainda
não chancelada.
A dificuldade em encontrar seus livros me frustrava de
sobremaneira, mas eu não desistia, e foi graças aos sebos da vida que eu
consegui adquirir dois dos onze por ela escritos. Um desses, inclusive, traz
uma preciosidade de valor afetivo imensurável.
O ano era 1978, eu tinha quatro anos de idade, ainda não
alfabetizada, e na capital fluminense o escritor mineiro Oscar Mendes, imortal da Academia Mineira de Letras, recebia
das mãos de Elisa Lispector uma dedicatória em uma das páginas de seu O Dia Mais Longo de Thereza (1965), livro
este que agora repousa verticalmente na minha estante rústica de livros. Penso
aqui na longa viagem que esse exemplar deve ter percorrido, e por quantas mãos deve
ter sido tocado até ter como destino um caixote amarelo que dá corpo a minha
biblioteca, e que aguarda pela minha próxima imersão literária, que de algum
modo fará o meu texto conversar com a literatura de Elisa Lispector, sendo o
tempo o protagonista da história.
Texto: Elisa Marina
segunda-feira, 15 de agosto de 2022
A história quando contada através de seus patrimônios
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| Localizada às margens da rodovia Índio Tibiriçá, a Capela de Nossa Senhora da Piedade passará por estudo de tombamento/Foto: Oi Diário |
O Decreto Lei nº 25 de 1937 determina que, constitui
patrimônio histórico e artístico nacional o conjunto de bens móveis e imóveis
existentes no país e cuja conservação seja de interesse público, quer por sua
vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil. Estados e municípios têm
suas regulamentações próprias de como preservar sua história. Suzano, município
da região metropolitana de São Paulo, é um exemplo. O Conselho Municipal do
Patrimônio Cultural (Compac) planeja, para ainda este ano, um estudo do
tombamento da Capela de Santa Helena, da Capela de Nossa Senhora da Piedade,
conhecida como Igreja do Baruel e da Festa do Baruel.
Muito mais que um dever do poder público, preservar um
patrimônio é dever também de todo cidadão, para isso, de acordo com o
presidente do Compac, Amaury Rodrigues, “o Conselho irá promover uma atividade
educacional para a preservação do patrimônio com o objetivo de conscientizar a
população sobre os benefícios e a importância da preservação do patrimônio
material e imaterial. Além disso, irá promover em setembro o curso Introdução às técnicas retrospectivas do
patrimônio histórico, voltado para o público acadêmico, e interessados em
geral”.
“Qualquer cidadão pode ajudar a preservar a história da sua
comunidade, para tanto basta indicar ao Compac um bem material ou imaterial que
acredita ser significativo, e que necessite de proteção especial. O cidadão suzanense
pode ser um guardião do bem público, respeitando e preservando as obras
tombadas. Isso é garantir a história viva para as futuras gerações”, salienta Rodrigues.
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| Construída em torno de 1700, Igreja do Baruel sofreu danos e foi reconstruída em 1916/ Foto: Acervo Secretaria de Cultura de Suzano |
Igreja do Baruel
No século XIX, uma
tempestade fez desabar grande parte da capela de Nossa Senhora da Piedade,
reconstituída tempos depois, no ano de 1916, pelo imigrante italiano Roberto
Bianchi. Para comemorar a reinauguração da Igreja, teve início a tradicional Festa do Baruel, que, se inicia com a
reza do terço de São Benedito, trinta dias antes da grande comemoração no mês
de setembro, que é o Dia de Nossa Senhora da Piedade. A caminhada dos fiéis, do
centro da cidade até o bairro, também é uma tradição centenária.
A comunidade na qual a igreja está localizada, às margens da
rodovia Índio Tibiriçá, representa o marco do início do que mais tarde viria a
ser a cidade de Suzano.
Por Elisa Marina
quarta-feira, 10 de agosto de 2022
Poética ou pecadora, mas sempre presente a preguiça
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| Preguiça (2017), Óleo em Tela, Veloso - Portugal Série de obras do artista português Veloso tendo como temática os sete pecados |
Entende-se por preguiça a falta de disposição para realizar
determinada tarefa, ou até mesmo uma aversão ao trabalho. No entanto, não há
definições psiquiátricas que classifiquem a preguiça como patologia, mesmo
porque momentos de ócio são muito indicados para a manutenção da saúde mental.
Porém, a preguiça pode ser sintoma de algumas patologias, tais como a
narcolepsia, e a depressão, por exemplo.
Mas a preguiça pode servir de inspiração para poetas, como
quando Manoel de Barros diz: tenho preguiça
de ser sério. Já Mario Quintana foi mais incisivo. A preguiça é a mãe do progresso/ Se o homem não tivesse preguiça de
caminhar/ Não teria inventado a roda. Na contramão dos poetas, o físico
Albert Einstein dizia que a leitura após
certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões
criadoras. Todo o homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a
preguiça de pensar. Uma definição que se aproxima do vazio existencial e
inquietante de Charles Bukowski. Tudo o
que era mau atraía-me: gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhuma
opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na
inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa
desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil.
Fernando Pessoa via na preguiça, liberdade, uma fuga às obrigações e às maçadas
que implicam. Ai que prazer/ Não cumprir
um dever/Ter um livro para ler/ E não o fazer!/ Ler é maçada,/ Estudar é nada./
O sol doira/ Sem literatura.
Por outro lado, o catolicismo com seu fundamentalismo nada poético, e muito menos científico, apresenta a preguiça
como um de seus sete pecados capitais, caracterizado pela pessoa que vive um
estado de falta de capricho, de esmero, de empenho. Nas escrituras cristãs,
esse pecado é visto como um vício primário, mais perigoso e debilitador do que
o orgulho ou a inveja, um tipo de exaustão do espírito.
A preguiça é sua, ela lhe pertence, lhe toma com efeitos paralisantes, angustiantes ou estimulantes. Seja como for, se você chegou até aqui, é provável que a leitura desse texto não lhe tenha causado preguiça,
o que para uma jornalista é a satisfação máxima de seu trabalho, que é
fazer a mensagem chegar - por completo - a seu destino, ainda mais quando em tempos
de redes sociais, por preguiça, o leitor reduz a leitura de uma notícia apenas ao seu título, e que como consequência, o nível de compreensão dos fatos não ultrapassa a superficialidade. Que
preguiça desses tempos!
Elisa Marina








