sábado, 7 de março de 2015

As rosas que calam os números

 
 
Não me ofereça rosas, se da sua boca brotam ofensas.
Não me ofereça rosas, se a sua mão marca o meu rosto.
Não me ofereça rosas, se o seu grito ecoa no meu ouvido.
Não me ofereça rosas, se o seu coração pensa em outra.
Não me ofereça rosas, se o seu corpo não me pertence.
 
Não ofereça rosas para calar o feminicídio.
Não ofereça rosas para calar o estupro.
Não ofereça rosas para calar o abandono.
Não ofereça rosas para calar o choro.
Não ofereça rosas para calar a dor.
 
Apenas plante rosas.
E ofereça o seu perfume.
(poema de minha autoria)

 
? mil mulheres são espancadas;
? mil mulheres são vítimas de estupro;
? mil mulheres são assassinadas por serem mulheres;
? mil mulheres são vítimas de abuso;
? mil mulheres são vítimas de assédio sexual;
? mil mulheres são mantidas em cárcere privado;

Um Feliz Dia das Mulheres...

? mil mulheres sofrem atentado violento ao pudor;
? mil mulheres sofrem constrangimento ilegal;
? mil mulheres tornam-se escravas;
? mil mulheres são obrigadas a se prostituir;
? mil mulheres são expostas a humilhações;

...se possível



Em Tempo: Amanhã o blog volta a publicar matérias informativas.


sexta-feira, 6 de março de 2015

Vanusa volta aos palcos com novo álbum



Afastada dos estúdios há mais de dez anos, Vanusa Santos Flores volta a gravar um disco de inéditas. O EP traz as primeiras canções do novo disco que está sendo produzido por Zeca Baleiro e sai pelo seu próprio selo, a Sarava Discos. O álbum, com capa de Elifas Andreato e que terá seu nome de batismo, trará canções de Angela Ro Ro, Guilherme Arantes, Vander Lee, Zé Geraldo, Zé Ramalho, além de parcerias de Vanusa com Antônio Luiz e Luiz Vagner (Tapete da Sala), e do próprio Zeca (Tudo Aurora), entre outras.

Vanusa já representou o Brasil em festivais internacionais e recebeu cerca de 200 prêmios. Gravou mais de vinte discos e vendeu mais de 3 milhões de cópias. Entre as canções, destaque para "Manhãs de Setembro", "Sonhos", "Paralelas", de Belchior, e "Mudanças". 

No show na última quinta-feira, no Café Vermount, a cantora mostrou que sua voz continua a mesma de sempre. Uma oportunidade para que as novas gerações tomem conhecimento do valor de Vanusa para a Música Popular Brasileira. 

Foto: Elisa Marina

quinta-feira, 5 de março de 2015

Doação de cérebros em benefício à Ciência

Chamou atenção a notícia veiculada ontem pelo portal UOL, de que Steve Weatherford, do New York Giants e Sidney Rice, do Seatle Seahawks, duas estrelas da NFL, a liga de futebol americano dos Estados Unidos, decidiram doar seus cérebros para pesquisas médicas depois de mortos. O que pode parecer novidade, começou bem antes. Em 2009, a liga chegou a um acordo com a Universidade de Boston, para que os cérebros dos jogadores fossem estudados,  através de pedido feito aos atletas para concordarem com a doação para a ciência.
A intenção é verificar os danos sofridos no cérebro destes jogadores ao longo de uma carreira marcada por choques entre os competidores, que podem superar os 150 quilos. Em estudos semelhantes, só que com jogadores de hóquei sobre o gelo e lutadores de boxe, ao longo da carreira, ficou constatado a relação direta entre os traumas cerebrais derivados do esporte e lesões graves posteriores.
No Brasil, ano passado, iniciativa parecida foi feita pela família do ex-jogador de futebol Hideraldo Luiz Bellini, após a morte do capitão da Copa de 1958. O ex-jogador sofria de mal de Alzheimer. Por isso, neste caso, a doação teve outro propósito. O objetivo foi ajudar em estudos que tentam esclarecer as ligações entre atividades atléticas e a decorrência da doença e de demais patologias neurológicas. A decisão atendeu ao pedido de um dos neurologistas que acompanharam Bellini.

Criado em 2004 e coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, o Banco de Encéfalos Humanos, do Grupo de Estudos em Envelhecimento Cerebral, o BEHGEEC, possui uma das maiores coleções de tecido encefálico do mundo. Só em 2012, coletou  amostras de mais de 2,7 pessoas, a fim de ajudar pesquisas sobre doenças neurológicas no país. Com essas amostras, foi possível aos pesquisadores descobrirem, por exemplo, as causas da demência. O banco guarda também material de pessoas com 50 anos ou mais sadias ou doentes, no intuito de ajudar os pesquisadores a estudarem o processo de envelhecimento. O trabalho do banco já despertou o interesse de vários centros de pesquisa do País e do mundo, como Estados Unidos, Alemanha, Itália e Portugal, entre outros, fazendo dele a principal fonte de cérebros brasileiros para a ciência mundial.

A primeira etapa é feita pelo Serviço de Verificação de Óbitos da Capital, também da USP, que faz as autópsias em caso de morte desconhecida, sem causa definida; equivalente ao que faz o Instituto Médico Legal, o IML, em casos de morte violenta. O SVOC existe desde 1931 e a partir de 2004, com a criação do banco, uma equipe de enfermeiros pergunta às famílias se elas aceitam doar o cérebro do morto para pesquisa. A taxa de recusa é baixa, perto dos 5%. Os cérebros não são guardados por inteiro; o que se guarda são partes de várias regiões cerebrais, conservadas de diferentes maneiras para diferentes aplicações.



quarta-feira, 4 de março de 2015

Muito mais do que um estilo, estas barbas apoiam uma causa


Há quatro anos, e após perder seu melhor amigo com 26 anos de idade, o surfista australiano Jimmy Niggles resolveu iniciar uma luta particular contra o melanoma, um tipo mais agressivo e fatal de câncer de pele. Ele deixou a barba crescer a fim de chamar a atenção aos riscos da doença e criou na Austrália a instituição de caridade Beard Season. Através das mídias sociais, sua enorme barba  atraiu a atenção das pessoas, inclusive do fotógrafo Brock Elbank , que uniu-se a Jimmy para apoiar a ideia. Agora, sua famosa barba, juntamente com outras dezenas é tema de uma exposição que reunirá cerca de 80 imagens de barbas e barbudos, na Somerset House, em Londres, de 5 a 29 de março.

Elbank recebeu mais de 1.200 inscrições de interessados em participar da causa, e teve que deixar muitos de fora. Porque segundo ele, seu projeto não é apenas sobre barbas, e sim sobre gente interessante. Talvez por isso, tenha escolhido Harnaam Kaur, britânica de origem indiana e única mulher a figurar em meio aos barbudos. Diagnosticada com a síndrome dos ovários policísticos, desde os 16 anos de idade deixou os pelos do rosto crescerem, e hoje, aos 23, diz que nunca se sentiu tão sexy quanto agora com a barba. Ricardo Araújo, que atualmente mora na Holanda, e incorporou a barba ao seu visual, é o único brasileiro fotografado por Elbank.
A exposição contará um pouco da evolução deste estilo pessoal e como se perpetuou no mundo inteiro. O visitante verá trabalhos inéditos e imagens da ação "Project 60", em que ele selecionou 60 pessoas para apoiar a causa do surfista Jimmy. Cada uma delas, teve que arrecadar fundos para a campanha e viajar à Londres, para a sessão de fotos.
Conhecido fotógrafo no meio da moda e publicidades, há anos, Elbank havia se especializado em barbas e tatuagens, incluindo alguns modelos famosos que também estarão na exposição.
crédito da foto: Brock Elbank
Preocupação mundial
O melanoma representa apenas 4% dos casos de tumores cutâneos. Nem por isso, deve ser ignorado. O fundamental é o diagnóstico precoce, pois os melanomas quando detectados tardiamente apresentam altos índices de metástases, tanto linfodonal, quanto por via hematogênica. O que faz dele o mais agressivo e mortal dos cânceres de pele.
Verrugas que coçam, sangram ou tem coloração diferente, devem ser verificadas pelo médico, assim que aparecerem, segundo orienta o Inca, Instituto Nacional de Câncer.
Fique atento aos fatores de risco:

- exposição excessiva ao sol;
- pele clara e sensível ao sol;
- cabelos loiros ou ruivos, olhos azuis ou verdes;
- pintas com formato incomum ou irregulares; geralmente em tamanho maior;
- existência de melanoma na família;
- ocorrência prévia de melanoma;
- ter mais de 50 anos de idade.
Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica
 
 

terça-feira, 3 de março de 2015

Um breve ensaio sobre a curiosidade

Quem nunca se viu obrigado a ter de responder a uma curiosidade alheia sobre sua vida pessoal? Se você namora, questionam quando será o casamento. Se casou, o interesse é sobre a vinda dos filhos. E se tem apenas um filho, o questionam quando o pequeno terá um irmãozinho.

Amigos, parentes ou até mesmo desconhecidos querem a todo instante instigar sobre a vida alheia, com perguntas diretas ou indiretas. Sim, eles querem. E nós? Nós, também queremos, porque somos curiosos desde sempre. 

Muito mais do que um hábito, a curiosidade é a capacidade natural e inata de questionar, presente nos seres vivos que se foca na exploração, investigação e no aprendizado porque somos ativos solucionadores de problemas e para tal, necessitamos buscar informações para isso. A curiosidade é mais um instinto animal. 

No entanto, quando ultrapassa um limite pré-estabelecido pela ética social, por exemplo, a invasão de espaço alheio, como o ilustrado acima, a curiosidade pode ser reprimida, porque seu excesso causa no curioso a insatisfação por ele não poder saber de tudo. Além de atormentar o indagado com muitas perguntas.

Por outro lado, ser curioso trás benefícios para o ambiente profissional. Tomas Chamorro-Premuzac, no blog da Harvard Business Review, revela que as empresas levam em conta uma característica que às vezes passa em branco, que é a curiosidade, sendo absolutamente essencial para o sucesso no trabalho. "O chamado Quociente da Curiosidade, ou QC tem a ver com a fome de conhecimento", conta. Isso porque, como ele explica, pessoas com QC alto fazem mais perguntas e estão mais abertas a novas experiências. Elas se empolgam com as novidades e ficam entediadas com a rotina.

Então, como ser curioso não é tão ruim assim, listo algumas curiosidades sobre as quais você certamente jamais teria:

Falar com mulheres deixa homens mais burros?
O doutor Johan C. Karremans, da Radboud University of Nijmegen nos Países Baixos, promoveu duas pesquisas, publicadas no Journal of Experimental Social Psychology, para mostrar que interações entre sexos causam uma queda temporária nas funções cognitivas do cérebro. Nos testes, homens e mulheres tiveram que conversar com estranhos de ambos os sexos e, ainda, preencher testes matemáticos e de associação de palavras antes e depois da interação. O público masculino apresentou uma sensível queda em sua performance depois de conhecer mulheres e quanto mais atraente for a moçoila, maior o declínio nos resultados. O efeito é o mesmo seja o macho casado, solteiro ou comprometido.

- Qual o pior dia da semana?
Pesquisa liderada pelos cientistas Peter Dodd e Christopher Danforth da Universidade de Vermont, Estados Unidos, revelou que a maior parte dos internautas consideram a quarta-feira o pior dia da semana. De acordo com o site TProPortal Dodd e Danforth dizem ter projetado um sistema inovador que pode medir a felicidade coletiva analisando os sentimentos da pessoa através da avaliação de seus tweets e posts em blogs.

- A vida imita a arte? 
A falta de lanchas de salvamento suficientes foi o argumento usado pelo novelista inglês Morgan Roberson, no seu livro “Futilidade”, como causa da morte de grande parte dos passageiros do transatlântico “Titán”, que, no romance, batia num iceberg. O navio fazia uma viagem inicial e era, na imaginação do escritor, a maior embarcação jamais construída pelo homem. O livro foi escrito catorze anos antes da partida do Titanic do porto de Southampton. Ele também fazia a sua primeira viagem – e última. O imaginário “Titán” e o verdadeiro Titanic eram aproximadamente do mesmo tamanho, transportavam o mesmo número de passageiros – três mil – e atingiam a mesma velocidade. Ambos afundaram no mesmo ponto do atlântico Norte pelo mesmo motivo.

- O que você plantaria nessa terra?
Fundação de Eletricidade da Austrália do Sul é dona da menor propriedade de que se tem notícia no mundo: um tiquinho de terra, de forma quadrada, que mede 24 milímetros de lado. A propriedade está registrada em cartórios, mas até agora ninguém descobriu o que se pode fazer com ela.

Quanto pode durar uma guerra?
A guerra mais curta da história foi entre Zanzibar e Inglaterra em 1896. O zanzibar rendeu-se ao fim de 38 minutos.

-  Salvo pelo congo?
Inglaterra é um país pequeno, e nem sempre houve espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados ao ossuário, e o túmulo era utilizado para outro defunto. Às vezes, ao abrir os caixões, percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Assim, ele seria “saved by the bell”, ou “salvo pelo gongo”, como usamos hoje.

Se a sua curiosidade ficou aguçada depois de ler estas informações,tem muito mais no site: www.naosalvo.com.br.

segunda-feira, 2 de março de 2015

O beijo da homofobia ou a homofobia do beijo?

"Beijinho não! Porque carioca não beija", diz com firmeza a repórter diante de dois cariocas, personagens da matéria sobre os hábitos e manias do povo local. Embora o tom da matéria tenha sido descontraído e informal, mas foi mais um a somar-se ao preconceito de muitos, cariocas ou não, tem sobre o gesto entre pessoas do mesmo sexo. Não! Entre dois homens.

Desde os tempos mais remotos, o significado do beijo no rosto entre os homens estava muito longe de ter uma correlação entre sentimentos homossexuais. Em 1927, o filme Wings (Asas), primeiro a vencer o Oscar e o primeiro, de que se tem registro, a mostrar dois homens beijando-se na face mostra os amigos, personagens de Jack Powell e David Armstrong, demonstrando o afeto no momento em que este último estava à morte. Esta cena, encontra-se com o argumento do escritor Kristoffer Nyrop, que em seu The Kiss and Its History, descreve o beijo como a última prova afetuosa de amor que agraciamos a quem amamos. Hoje, entre os vivos, o medo e o pavor que este carinho significa, principalmente entre os latinos americanos, inibe homens a demonstrarem uma relação de afeto a outro homem. No Brasil, pode-se notar tal demonstração entre laços familiares ou de amizade. Mas isto está longe de ser uma maioria absoluta.

Argumentos como "homem não beija", e "homem não chora", bradados por pais a seus filhos, levam meninos a acreditarem que beijar um amigo coloca sob suspeita sua orientação heterossexual. Aí é que mora ainda mais o preconceito. Qual o problema se um beijo público entre homens for considerado um comportamento homossexual? Por que ser chamado de "gay" é uma onfensa, um insulto? Talvez porque aquilo que não se aceita, se despreza. E o que é desprezível, é vergonhoso e não merece consideração.

Nos jogos de futebol, torcidas gritam todos os substantivos que remetem aos homossexuais, no intuito de ofender o adversário. Conseguem atingir seu objetivo, quando a torcida rival responde com igual provocação.

Sabemos que a educação é uma das formas de combate à homofobia. Mas a curto prazo, uma medida inusitada poderia surtir um efeito inesperado, num clássico do futebol. Oferecer um ingresso ao torcedor que aceitar beijar em público seu rival. Mesmo porque num país onde o futebol é a paixão nacional, um beijo é muito mais representativo ao sentimento caloroso da paixão, do que socos e pontapés que diariamente vemos nos campos de futebol.

domingo, 1 de março de 2015

Seja você o editor das suas informações

Homens amontoados diante de uma banca de jornal. Situação comum, há décadas, nas mais diferentes cidades, o cenário revela a oportunidade, única talvez, que muitos encontram para ler as manchetes do dia. À disposição estão jornais e revistas de fofoca, principalmente.

Saímos das bancas e chegamos na internet. O meio é outro, mas a forma de apresentação não muda muito. Quase todos os principais sites de notícias obrigam o leitor a ficar por dentro da notícia que seus editores julgam serem importantes. Se você busca apenas assuntos de economia ou política, é obrigado a saber que o famoso cantor casou-se com a famosa atriz. Quer seja este um universo sobre o qual você tem pouco ou zero conhecimento. Mas você vai saber. Quantas informações você foi obrigado a ler, ainda que apenas a manchete, sem que fosse de seu interesse? 

Bombardeados por notícias de corrupção, assassinatos e outros casos de violência, querem nos fazer acreditar que estamos vivendo no castelo de horrores. Não que as historias não existam. Mas experimentar não assistir ou ler os noticiários sobre violência, por exemplo, já é uma boa iniciativa, para ver que o céu não é sempre nublado. 

Você não precisa tomar conhecimento de todos os casos de roubos, para se precaver quando andar na rua. Seja você o editor das suas informações. Leia, pesquise e compare as informações. Uma matéria assustadora de um crime numa cidade, encobre uma notícia mais oportuna para você. Sua cidade pode ter conseguido baixar o número de casos de assaltos e você nem saiba.

Fazer uma faxina mental e criar uma atmosfera menos aterrorizante, dará a você a sensação de que o castelo não é tão mal-assombrado quanto querem te fazer acreditar. Experimente!