terça-feira, 5 de abril de 2016

O uso da sucralose em alimentos quentes pode ser prejudicial ao organismo

Sucralose é o adoçante artificial mais utilizado tanto
para fins industriais e uso pessoal
      Em recente trabalho, pesquisadores da Universidade de Campinas, a Unicamp, alertam para o perigo do uso da sucralose em alimentos e sobremesas quentes, como chás, cafés, bolos e tortas. Os principais resultados do estudo indicam que, quando aquecido, o adoçante torna-se quimicamente instável, liberando compostos potencialmente tóxicos e cumulativos ao organismo humano. A sucralose é o adoçante mais consumido no mundo, e liberado irrestritamente pelos principais órgãos de segurança alimentar, incluindo o órgão norte-americano e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

     O professor Rodrigo Ramos Catharino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, e os pesquisadores Diogo Noin de Oliveira e Maico de Menezes demonstraram que, quando aquecida, a sucralose torna-se quimicamente instável, liberando hidrocarbonetos policíclicos aromáticos clorados, compostos tóxicos, cumulativos no organismo humano e potencialmente cancerígenos.

      De acordo com o professor, o estudo é o primeiro, em nível mundial, a relatar o comportamento térmico da sucralose, abrangendo uma vasta gama de abordagens analíticas. Portanto, o uso deste edulcorante artificial merece muita atenção dos consumidores, e necessita de outras pesquisas.

Açúcar de mesa

      A sucralose é produzida sinteticamente a partir da sacarose, o açúcar de mesa, obtido por meio da cana-de-açúcar. A principal diferença química entre eles é a presença de átomos de cloro presentes na sucralose, que são capazes de aumentar o poder de doçura do adoçante, que chega a ser 400 vezes maior do que o da sacarose. O açúcar comum possui átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio, enquanto que o sucralose alguns átomos de oxigênio foram substituídos pelo cloro.

      Rodrigo Catharino explica que a sucralose não decomposta é isenta de riscos ao nosso organismo, ou seja, se não aquecida, ela se torna completamente inofensiva. Embora muitos fabricantes informam, no rótulo do adoçante, que a sucralose é estável ao aquecimento, indicando e sugerindo receitas com alimentos quentes, o estudo da Unicamp demonstrou uma avaliação contrária à estas indicações.

Fonte: Unicamp

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Número de amigos permanece estável ao longo dos anos

O ambiente profissional é uma importante fonte de
novas amizades, inclusive das mais longevas e
com alto grau de intimidade
       Ao longo da nossa vida, uma infinidade de pessoas, a quem chamamos de amigos, fará parte do nosso círculo social, mas destes, uma parcela irá se tornar amigo para toda a vida, pois igualmente grande será o número de pessoas que deixarão de ser amigos. É como se para que novos amigos cheguem, outros precisam desocupar o lugar. Algumas pessoas poderão dizer que isso não é bem assim, que há espaço para a presença de todos; já a ciência discorda.

      Uma pesquisa revelou que a cada sete anos uma pessoa perde e substitui cerca de metade de seus amigos, de modo que a sua rede social permanece estável. A conclusão foi de uma análise de dissertação de mestrado defendida na Universidade de Utrecht, na Holanda.

      O sociólogo Gerald Mollenhorst coletou dados sobre o relacionamento social (não-familiar) de 1007 pessoas entre 18 e 65 anos. Sete anos depois, 604 indivíduos do grupo foram entrevistados novamente. Os resultados mostraram que o tamanho da rede de amigos não se alterou significativamente ao longo do período, mas apenas 48% de seus membros eram os mesmos. Além disso, cerca de 30% dos amigos considerados mais próximos no início do estudo mantinham esse status sete anos mais tarde.

      Os dados revelam ainda que as redes sociais não são formadas apenas com base em decisões pessoais. A "escolha" dos amigos é limitada pelas oportunidades de encontrá-los, e as pessoas geralmente fazem novas amizades em contextos nos quais outras surgiram anteriormente.

Fonte: Mente e Equilíbrio - Scientific American

domingo, 3 de abril de 2016

Perto de virar lei, Estatuto dos Animais é aprovado no CCJ

Mais de 50 mil espécies foram enquadradas no
Estatuto dos Animais
     Esta semana os apaixonados por bichos tiveram uma boa notícia. O Estatuto dos Animais foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça, CCJ, do Senado. Para virar lei, o projeto ainda precisa passar por mais duas comissões - do Meio Ambiente e Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle. Além de listar os crimes de maus-tratos, o texto, que terá 21 artigos, estabelece obrigações para quem tem a guarda dos bichos.

      O texto determina que não serão tolerados maus-tratos aos bichos seja por razão cultural, de recreação ou econômica. São enquadradas 50 mil espécies, desde peixes até aves e mamíferos. Como maus tratos, o texto considera atos como forçar um animal a fazer movimentos contrários à sua natureza ou capacidade física, abandono em situação de perigo ou quando despreparado para se alimentar de maneira adequada e submeter os bichos a treinamentos, eventos e apresentações circenses ou ações publicitárias que lhe causem dor, sofrimento ou dano físico.

       Entre os deveres de pessoas físicas ou jurídicas que mantenham um animal, estão o de fornecer alimentação e abrigo adequados à espécie, variedade, raça e idade. Eles também devem assegurar que não existam circunstâncias capazes de gerar ansiedade, medo, estresse, angústia de maneira frequente e proporcionar cuidados, como medicamentos e assistência veterinária.

       A versão aprovada foi o substitutivo  do senador Antônio Anastasia (PSDB) ao projeto original do senador Marcelo Crivella (PRB). Entre as mudanças incluídas pelo tucano está o trecho que torna obrigatória a identificação individual dos animais de estimação.

Ensino e pesquisa

       Por outro lado, foi desconsiderado do texto, questões de maus-tratos aos animais em casos de controle de zoonoses, controle de espécies invasoras,  e de ensino e pesquisa científica na área da saúde expressamente previstos em lei. Quando não houver método que evite totalmente a dor e o sofrimento, devem ser adotadas todas as medidas disponíveis para reduzi-los ao máximo. Anastasia excluiu do texto a situação de abate de animais para fins comerciais, que no entender do senador devem ser objetos de legislação específica, com métodos que minimizem ao máximo a dor e o sofrimento.

      

sábado, 2 de abril de 2016

Martin Luther King no topo da montanha

Assassinado em 4 de abril de 1968, seu último discurso
deixou claro que Martin Luther King previa que sua morte
se aproximava
     Foi em um 3 de abril, do ano de 1968, um dia antes de ser assassinado, que Martin Luther King fez seu último discurso Eu estive no topo da montanha, proferido na sede mundial da Igreja de Deus em Cristo, em Menphis, nos Estados Unidos. Durante sua fala, fez um apelo à união entre os ativistas negros e aos protestos não-violentos. Pastor evangélico e ativista político, Martin Luther King é considerado um dos grandes nomes que marcaram a luta dos negros norte-americanos contra os atos de preconceitos raciais que assolaram os Estados Unidos. Chegou a ganhar um Nobel da Paz. Foi morto a tiros, quando estava na varanda do hotel em que estava hospedado.

      Bem, eu não sei o que acontecerá agora. Temos dias difíceis pela frente. Mas, para mim, isso não importa agora, porque eu estive no topo da montanha. E não me importo. Como qualquer pessoa, gostaria de ter uma vida longa; a longevidade tem o seu lugar. Mas não estou preocupado com isso agora. Só quero fazer a vontade de Deus. E Ele permitiu que eu subisse a montanha. Olhei ao redor e contemplei a terra prometida. Talvez não vos acompanhe até lá, mas quero que saibam esta noite que nós, como povo, chegaremos à terra prometida. E estou feliz esta noite; nada me preocupa. Não temo nenhum homem. Os meus olhos viram a glória da chegada do Senhor.

       Embora oficialmente um homem tenha se pronunciado como o assassino, suspeita-se que pessoas mais influentes estivessem por trás do ato que terminou na morte do ativista político. O próprio FBI já foi apontado como um dos interessados no silêncio de Luther King, uma vez que suspeitas apontavam que o então chefe do Escritório Federal de Investigação dos Estados Unidos supunha que o ativista fosse comunista. Em 1979, o Congresso norte-americano concluiu as investigações, mas o acesso aos relatórios só será possível em 2029. James Ray que, a princípio, confessou o crime, alegou posteriormente inocência e que havia sido manipulado. O suposto assassino morreu em 1998.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

LER&SER: Jakob, o Mentiroso - Jurek Becker

     Lançado em 1969, Jakob, o Mentiroso é tido como uma das obras-primas da literatura sobre o Holocausto. O narrador é um dos únicos sobreviventes que sabem a verdade sobre Jakob Heym, um homem que se tornou herói por acaso. E foi também o acaso que preservou a vida do narrador: pelas dimensões do extermínio, pelas proporções aterradoras do Holocausto, seria mais provável que não tivesse sobrado ninguém para contar a história. Mas sobrou - e alguém que padeceu com Jakob todo tipo de aflições num gueto judeu na Polônia, durante a Segunda Guerra. O que fez Jakob, afinal? Mentiu: forjou notícias sobre a aproximação do Exército Vermelho, os possíveis redentores.

     Jakob suscita uma reviravolta surpreendente no gueto. Depois de suas mentiras, nada continua igual. Mas ele é mentiroso contrariado, sem dotes imaginativos, sem brilho; seu repertório linguístico é limitado, suas palavras são escassas, custa-lhe urdir uma mentira qualquer. As mentiras que divulga nascem da piedade; nunca resultam de um pensamento bem articulado. E, no entanto, suas minguadas palavras são esperadas e ouvidas com avidez pelos habitantes do gueto - todos indefesos, acuados pela banalidade do mal. As palavras, arma impalpável, são como o pão que falta a essa gente esfaimada, e um grama delas, como diz Jakob, já lhe basta para fabricar uma tonelada de esperança.

       Jakob, o Mentiroso poderia ser um romance lúgubre. Jurek Becker, ao narrar a vida e a morte do gueto, presentifica as crueldades cometidas, as humilhações, as expectativas, o absurdo de uma situação em que seguir vivendo já equivale a um ato de heroísmo. Mas seu olhar é distanciado, livre de condescendências e de sentimentalismo. E seu tom é moldado por um admirável bom humor. O tratamento literário de que ele reveste as atrocidades do Holocausto é, enfim, lapidar.

quinta-feira, 31 de março de 2016

QUINTA FEMININA: estudos de Sophie Germain ajudaram na construção da Torre Eiffel

Uma vida dedicada à matemática sem o reconhecimento
pelos seus estudos
      A matemática, física e filósofa francesa Marie-Sophie Germain nasceu no ano de 1776. Ainda adolescente, começou a estudar a teoria básica de números, cálculos e os trabalhos de Leonhard Euler e Issac Newton. 

     Com a criação da Escola Politécnica de Paris, em 1794, uma academia de excelência para a formação de matemáticos e cientistas de todo o país, veio o sonho de fazer parte da escola. Porém, as vagas eram reservadas apenas aos homens; e sem coragem de se impor ao conselho acadêmico, resolveu adotar a identidade de um antigo aluno da academia, Monsieur Antoine-August Le Blanc. Acontece que a academia não sabia que o verdadeiro Le Blanc havia deixado Paris, e continuou imprimindo e enviando suas lições, que ela, Sophie, interceptava, apresentando semanalmente suas respostas aos problemas sob seu pseudônimo.

     Só que Sophie não poderia imaginar que seu disfarce logo seria descoberto. O verdadeiro Le Blanc era considerado um aluno medíocre, o que acabou despertando a suspeita do supervisor do curso surpreso pela transformação notável do aluno, que agora apresentava soluções engenhosas aos mais variados problemas. Foi então que ele requisitou um encontro com o aluno, motivo pelo qual Sophie Germain foi forçada a revelar sua identidade. Para sua surpresa, Joseph-Louis Lagrange, o supervisor, tornou-se seu mentor e amigo.

      Aos vinte anos, interessada pela teoria dos números, escreveu para Carl Friedrich Gauss, considerado o "Príncipe dos Matemáticos", embora ainda persistisse o medo de não ser levada a sério por ser mulher. Por isso, mais uma vez voltou ao pseudônimo, assinando suas cartas como Monsieur Le Blanc. Quando o imperador Napoleão, em 1806, invadiu a Prússia, Sophie Germain solicitou ao general encarregado das tropas invasoras que garantisse a segurança de Gauss. Surpreso pelo ocorrido, interessou-se em saber quem era a Mademoiselle Shophie Germain que havia salvo sua vida. E novamente, ela teve que revelar sua identidade. Gauss não demonstrou aborrecimento; pelo contrário ficou satisfeito por encontrar-se frente a inacreditável exemplo de uma mulher matemática.

       Gauss foi nomeado professor da Universidade de Gottingen, na Alemanha. E Sophie, sem o seu mentor e confidente, desinteressou-se pela matemática. Iniciou na carreira de física e, mesmo tendo que lidar com os preconceitos existentes, fez importantes contribuições que firmaram os fundamentos para a moderna teoria da elasticidade. Como resultado de suas pesquisas com os números primos e seu trabalho com o Último Teorema de Fermat (uma generalização do famoso Teorema de Pitágoras), ela recebeu uma medalha do Instituto da França e se tornou a primeira mulher que, não sendo a esposa de um membro, podia participar das conferências da Academia de Ciências.

       Retornou o contato com seu mentor, Carl Gauss, que convenceu a Universidade a premiá-la com um grau honorário, mas, em 1831 Sophie morreu antes de receber a honraria.

        Embora tenha sido uma das mulheres com maior capacidade intelectual que a França produziu, na nota oficial de sua morte foi designada como uma rentière-annuitant (solteira sem profissão), ao invés de matemática. Além disso, foi omitido o seu nome da relação dos setenta e dois sábios cujas pesquisas contribuíram  definitivamente para a construção da Torre Eiffel - quando os seus estudos sobre a teoria da elasticidade foram fundamentais para a construção da torre.

Fonte: Torre Eiffel

quarta-feira, 30 de março de 2016

O perigo do consumo do leite humano pelos adultos

O leite não pasteurizado apresenta concentração de
bactérias, e também pela precariedade no transporte
e armazenamento
     Pode parecer estranho, mas há adultos adeptos do consumo do leite humano. Existem até comunidades fetichistas, adeptos de musculação, e de pessoas que sofrem de doenças crônicas, que gostam de consumir, sob as formas de produto natural, sorvete, pirulitos e outras, pois acreditam tratar-se de um superalimento capaz de evitar doenças e melhorar a saúde e a condição física. Primariamente, o leite é ofertado em seu estado natural e pronto para tomar. Na internet, existem sites e fóruns que são frequentados por aqueles que desejam comprar ou vender o leite humano.

     No entanto, quando o leite humano é consumido por adultos o conteúdo nutricional do leite humano é inferior ao leite de vaca, bem diferente do que acreditam estes consumidores. Além disso, os riscos do consumo desse alimento incluem contaminantes químicos e ambientais. 

      E mais, o leite vendido na internet não é pasteurizado, o que expõe o consumidor a doenças relacionadas ao leite natural. A falta de pasteurização promove um alto risco bacteriano, além de expor o consumidor a doenças infecciosas como citomegalovírus, hepatite B e C, HIV e sífilis, entre outras. Álcool, drogas lícitas ou ilícitas, tabaco e cafeína passam para o leite paralelamente com outros contaminantes naturais ambientais.

Inglaterra e Brasil

     O famoso site inglês Only The Breast, que entrou no ar no início de 2010, tem hoje mais de 7 mil mães para vender ou comprar leite materno. Há, inclusive, área para doação e também para a venda para homens adultos, que acreditam que o leite materno ajuda a ganhar massa muscular de forma mais rápida. Mas por lá este mercado ainda não é regulamentado.

      No Brasil, de acordo com a legislação vigente, tecidos, órgãos e fluídos corporais - como leite, sangue e saliva - não podem ser comercializados. Por aqui, o leite materno não é, nem pode ser, uma fonte de renda. O modelo brasileiro é diferente do modelo norte-americano, onde não há um critério único. Lá existem bancos de leite em que a mãe paga pelo serviço de coleta, por exemplo, e há bancos em que não se paga. Nos Estados Unidos, 30 ml de leite podem custar até US$ 4. Por isso, estes sites ganham importância e são perigosíssimos.

Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes