sábado, 7 de maio de 2016

A Paris das luzes e da imponente torre

Pensadores iluministas trataram de questões
morais, religiosas e políticas
      Foi em 6 de maio de 1889, que os franceses reconheceram Paris como a Cidade-Luz. Mas engana-se quem pensa que Paris recebeu esse nome só por causa da quantidade de lâmpadas ou pelo pioneirismo em eletricidade. 

      Foi por conta de um movimento, o Iluminismo, ou Século das Luzes, que a cidade ganhou esse apelido. Após o período das "trevas" da Idade Média, no século 18 intelectuais tentavam explicar o universo com a razão e a Ciência. E iluminavam a mente humana com filosofia. As mentes mais iluminadas nas diversas vertentes das artes eram atraídas para Paris. Pintores, escultores, arquitetos, músicos, bailarinos, artistas de todo o mundo mudaram para Paris, que se tornou o maior centro de artes do mundo, do bom gosto, do refinamento Por este motivo, Paris, uma das capitais europeias que abrigaram o movimento, ficou conhecida com o Cidade Luz. 


      A invenção dos postes de iluminação pública com lâmpadas a óleo para enfeitar só reforçou sua fama, no começo do século 20. No ano de 1667, a cidade enfrentava uma explosão de violência urbana, e o rei Luis XIV nomeou Gilbert Nicolas de la Raynie o novo general da polícia Sua missão: acabar com a criminalidade que assolava os parisienses. E uma das soluções encontradas pelo novo general para dispersar os criminosos foi iluminar Paris a noite. As luminárias tipo candeeiros que já existiam na época foram substituídas por grandes tochas. Nem mesmo os becos e ruelas mais afastados forma poupados da nova iluminação. E se Paris antes já era iluminada, depois dessa medida ficou ainda mais.


Foi também na mesma data, 6 de maio de 1889
 que a torre Eiffel foi aberta para visitação
      E agora, em pleno século 21, as luzes parisienses são outras e continuam a encantar o mundo. A técnica de eletricidade virou arte. E quando anoitece, o show de luzes transforma a capital francesa em outra cidade. Os monumentos e símbolos e símbolos arquitetônicos sob os holofotes são um espetáculo imperdível, assim como os diversos jardins e espelhos d'água cintilantes.

      A gótica catedral de Notre-Dame, por exemplo, se destaca noturnamente em meio a sombras e luzes. Os barcos piscantes  do rio Sena jogam ainda mais luz sobre o mosaico urbano. 

     Na torre Eiffel mais de 20 mil mini-lâmpadas brilham em ritmo dançante a toda hora. A historia deste imponente monumento também data de 6 de maio de 1889. Foi neste ano que o governo francês anunciou uma competição de design arquitetônico para um monumento a ser construído no Campo de Marte, no centro de Paris. O projeto escolhido foi do engenheiro Gustave Eiffel. Com seus 324 metros de altura, possuía 7,300 toneladas quando foi construída, e considerada na época, a estrutura mais alta do mundo.

Fonte: Historia do Mundo e Wikipedia
Fotos: Internet

sexta-feira, 6 de maio de 2016

LER&SER: O Melhor de Mario Quintana - Armindo Trevisan,Dulce Helfer e Tabajara Ruas

      Esta obra é uma grande homenagem ao poeta gaúcho, nascido em 30 de julho de 1906 e falecido em 5 de maio de 1994. Armindo Trevisan e Tabajara Ruas analisam a vida e a obra do poeta, e comentam as fotos de Dulce Helfer que, mais do que fotógrafa, era amiga de Quintana e acompanhou momentos de sua vida e de sua intimidade com as lentes de fotógrafa. 

      Trevisan, em um comentário de uma fotografia, escreve uma carta endereçada à Quintana, que começa assim: Caro Poeta... Dulce Helfer realizou tua foto com engenho  e arte. Fez de ti uma foto felina. Felina? De Fellini, e também, de felino... Armindo Trevisan e Dulce Helfer selecionaram textos e poemas de Quintana para ilustrar a rica produção do poeta. 

       No capítulo Mario, a cidade, seus personagens e amigos, os autores reuniram depoimentos de Érico Veríssimo, Paulo Mendes Campos, Marcelo Coelho e Luiz Fernando Veríssimo, e fotografias antigas de Quintana ao lado de Manuela Bandeira, Carlos Drummon de Andrade e da sobrinha Elena. O livro ainda contempla a vida e a obra do poeta, e uma bibliografia detalhada.

         O poeta, jornalista e tradutor Mario Quintana não se casou nem teve filhos. Viveu boa parte de sua vida em hotéis. Em um destes, foi despejado por falta de pagamento, depois que o jornal Corrio do Povo, para o qual trabalhava, encerrou as atividades. Foi morar no quarto do hotel Royal, cedido pelo dono do local, o ex-jogador Paulo Roberto Falcão. A amiga Dulce achou o espaço pequeno, e na ocasião, ele respondeu: Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas. Foi a própria Dulce que tempos depois conseguiu um apartamento em um apart-hotel no centro da cidade, onde o poeta viveu até a sua morte. Ao conhecer o local, ele se encantou, dizendo: Tem até cozinha. 

       Em 1982, o Hotel Majestic, considerado um marco arquitetônico de Porto Alegre e uma das moradias de Quintana, foi tombado. Em 1983, atendido a pedidos dos fãs do poeta, o governo local adquiriu o espaço e o transformou em centro cultural, batizado de Casa de Cultura Mario Quintana, com destaque para a reconstrução do quarto em que o poeta morou.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

QUINTA FEMININA: Nellie Bly e o pioneirismo no jornalismo investigativo

Sua marca registrada seriam os disfarces e espionagens
para conseguir furos de reportagem
       Ela nasceu Elizabeth Jane Cochran no dia 5 de maio de 1864. Mas foi com o nome de Nellie Bly que esta norte-americana ficou conhecida no jornalismo, tornando-se pioneira das reportagens investigativas. 

       De família rica e à frente do seu tempo, Nellie não concordava com a falta de direitos às mulheres de sua época. Então, aos 18 anos de idade, depois de ler o artigo Para que servem as mulheres?, e revoltada com o machismo nele presente, escreveu uma carta ao editor do jornal Pittsburgh Dispatch. Suas palavras o impressionaram e Elizabeth foi contratada pelo periódico, embora tivesse que adotar um pseudônimo para proteger sua identidade. Nascia aí Nellie Bly, título de uma canção popular de Stephen Foster.

      As primeiras matérias da jovem jornalista trataram do desamparo legal das mulheres - casadas e separadas. Mas para ela isso ainda era pouco. Ela queria sentir, literalmente, na própria pele, as realidades sociais da época. Foi então que surgiu o jornalismo investigativo, meio pelo qual ela podia se disfarçar e, assim, passar pelas mesmas experiências que desejava relatar. No entanto, foi quando escreveu sobre exploração infantil e as péssimas condições de trabalho em que se encontravam as trabalhadoras de uma empresa, Nellie acabou sendo transferida para a seção de eventos sociais depois que o dono da empresa ameaçou tirar os anúncios do jornal. Insatisfeita, tirou licença do jornal e foi para o México, de onde acabou sendo expulsa por causa de seus artigos sobre pobreza e casos de corrupção daquele país.


         De volta aos Estados Unidos, pediu emprego no jornal New Yoork World, cujo dono era simplesmente Joseph Pulitzer, autor do livro A Escola de Jornalismo, e criador do Prêmio Pulitzer. Por lá, Nellie pode realizar matérias marcantes; a primeira delas rendeu uma reformulação no sistema de saúde norte-americano. E não parou por aí. A audaciosa Nellie, com o apoio de seus editores, fingiu-se de louca e foi internada em um sanatório feminino, onde passou dez dias colhendo informações, enquanto comia refeições estragadas, dormia em colchões infestados de insetos e "recebia tratamento médico" comparável a tortura de enfermeiras abusivas. E lá encontrou mulheres sãs, que haviam sido abandonadas pela família ou pelo marido por diversos motivos. Nellie só conseguiu sair do manicômio com a intervenção dos advogados do jornal. Por esta experiência, mais tarde escreveu o livro Ten Days in a Mad-House. 

       Em novembro de 1889, aos 25 anos, Nellie convenceu seus editores a aceitarem sua ideia de dar volta ao mundo. O objetivo era fazer o percurso da personagem de Julio Verne em Volta ao Mundo em 80 Dias, só que em menos tempo. E conseguiu, realizou a travessia em 72 dias.

Tempos de aposentadoria

       Apesar da fama internacional, em 1895, Nellie se aposentou assim que casou-se com o milionário Robert Livingston Semean, quarenta anos mais velho que ela, ficando viúva nove anos depois. Nesta condição, se viu obrigada a assumir o comando das empresas. Adotou mudanças radicais, como a diminuição da jornada de trabalho, criou centro recreativo e biblioteca para os operários, medidas que não deram certo e a levaram à falência. 

       Viajou à Inglaterra para espairecer. E por lá, em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial, foi a única mulher a cobrir a guerra no campo de batalha. Chegou a ser presa por suspeita de espionagem.

        Tempos depois, já em solo norte-americano, seu último trabalho foi no New York Evening Journal. Só abandonou o jornalismo em 27 de janeiro de 1922, quando morreu de pneumonia aos 57 anos de idade.

Fonte: Blog Uma de Copas

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Brasil ocupa o 99º lugar no ranking de liberdade de imprensa

Liberdade de imprensa corresponde à comunicação através
da mídia, enquanto a liberdade de expressão se aplica a
todas as formas de comunicação, como por exemplo, nas
artes
       De acordo com pesquisa de 2015 da ONG Repórteres Sem Fronteiras, o Brasil ocupa a 99ª posição no ranking da liberdade de imprensa - 12 posições acima do resultado de 2014. O índice leva em conta características como pluralidade de meios de comunicação, independência da mídia, transparência governamental, legislação e abusos contra jornalistas. A Mongólia foi o país que mais avançou em relação a 2014, pulou de 88º para 54º. Por outro lado, a Itália caiu 24 posições por conta do aumento de casos de jornalistas ameaçados pela máfia. Andorra teve a maior queda no ranking, passando da posição de número 5 para a 32ª.

       Entre os países da América, a Venezuela caiu 21 posições e ocupa o 137º lugar. No ranking geral, os dez primeiros lugares são ocupados por Finlândia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Suécia, Nova Zelândia, Áustria, Canadá, Jamaica, Estônia, Irlanda, Alemanha, República Tcheca, Eslováquia e Bélgica.

       A liberdade de imprensa, cuja comemoração mundial é datada no dia 3 de maio, é tida como positiva porque incentiva a difusão de múltiplos  pontos de vista, incentivando o debate, e por aumentar o acesso à informação e promover a troca de ideias de forma a reduzir e prevenir tensões e conflitos. Mas é vista como um inconveniente em sistemas políticos ditadoriais, quando normalmente reprime-se a liberdade de imprensa.

terça-feira, 3 de maio de 2016

A perigosa bactéria que se esconde nos fatiadores de frios

A Listeria monocytogenes é um patógeno que
sequer aparece nas estatísticas epidemiológicas
      Geralmente, a preocupação do consumidor no ato da compra de alimentos como rosbife, mortadela, presunto, e outros frios, costuma ser com a marca e, principalmente com a data de validade. Claro que tais informação são dados importantes, porém, um perigo que se esconde na máquina de fatiar e invisível a olho nu pode apresentar muito mais gravidade do que se possa imaginar, a contaminação cruzada de bactérias, como a Listeria monocytogenes no processo de corte de frios.

       Em pesquisa do Centro de Pesquisas em Alimentos/Food Research Center da Universidade de São Paulo, a mestranda Daniele Faria simulou em laboratório a contaminação cruzada em um fatiador de frios e conseguiu demonstrar que esta bactéria é transferida a duas centenas de fatias de rosbife cortadas por um aparelho cortado com o micro-organismo.

      O estudo comprova que, apesar de o processamento térmico desses alimentos ser suficiente para eliminar esse micro-organismo, a ocorrência de contaminação cruzada pós-processamento pode resultar em aumento de risco à saúde do consumidor. Esta bactéria é um patógeno que pode estar presente em alimentos prontos para o consumo, pois são mantidos em refrigeração e possuem longa vida de prateleira, o que favorece em sua multiplicação. A Listeria monocytogenes é causadora da doença listeriose, infecção que tem incidência baixa, mas alto grau de severidade e alto índice de mortalidade (20% a 30%) e cujos sintomas em um adulto normal são semelhantes ao da gripe, com febres, mialgias e dor de cabeça. Ela pode causar problemas sérios em gestantes, recém-nascidos, idosos e pacientes e pacientes debilitados e imunodeprimidos. Nas gestantes, a bactéria pode causar aborto, feto natimorto, nascimento prematuro e infecções neonatais.

        E a alisteriose invasiva é uma doença caracterizada pela grande presença de bactérias no sangue, com ou sem focos evidentes de infecção, ou por afetar o sistema nervoso central pode causar meningite, meningoencefalite e abcessos no cérebro. Afeta, principalmente, pacientes com mais de 50 anos, causando febre, alterações na percepção sensorial e dor de cabeça.

Teste em laboratório

        Daniele adquiriu uma peça de rosbife não contaminado e inseriu nela a bactéria e a cortou. Depois de contaminado o cortador, ela passou a fatiar uma outra peça não contaminada. Ela estudou cada uma das fatias e descobriu que até a ducentésima fatia ainda havia presença da Listeria monocytogenes. E ainda que o número de bactérias diminuía a medida que aumentavam o números de fatias, a última fatia apresentou um número alto de bactérias.

         De acordo com a mestranda, esse tipo de bactéria sobrevive a grande variação de temperatura - de 4 graus negativos até 50 graus Celsius. Daí que o problema pode se dar tanto em locais onde as pessoas pedem o produto fatiado quanto para quem compra a peça inteira ou ainda fatiada e acondicionada em embalagens de isopor. Além disso, ela sobrevive em alimentos com muito sal, o que é ideal nesse tipo de produto.

         Com a pesquisa, a mestranda pretende  alertar as autoridades sanitárias no Brasil. Ela explica que o Brasil não tem legislação para garantir que produtos como o rosbife e outros frios estejam livres da Listeria, bem como exigir um processo de limpeza e sanitização adequados em locais de fatiamento.

Fonte: Agência USP

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Maioria dos gestores contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir Lei de Cotas

A empresa que contrata cumpre a lei, mas
as pessoas com deficiência não são aceitas
internamente pelas pessoas
      Na condição de empresário, você contrataria uma pessoa com deficiência pela capacidade que ela teria para desempenhar uma função profissional ou apenas para cumprir uma lei que determina uma porcentagem para contratação de pessoas nestas condições? Se respondeu que sim para a segunda opção, você iria fazer parte da maioria dos gestores que ainda têm resistência em contratar pessoas com algum tipo de deficiência. E quando o fazem é apenas para cumprir a Lei de Cotas. Segundo pesquisa feita com profissionais de Recursos Humanos, apenas 33% dos gestores contratam o candidato se ele estiver dentro do perfil da vaga.

       A diretora da Diversidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Brasil), Georgete Lemos, disse que a pesquisa deixa em evidência valores muitas vezes enraizados de não reconhecer a capacidade das pessoas com deficiência. Para ela, o RH tem que ajudar as empresas a realinhar suas ações aos valores que estão sendo adotados pela sociedade. Embora existe a Lei de Cotas e até uma boa intenção por parte dos gestores, falta a atitude compatível. E essa equação pode se resolvida com a incorporação de valores na organização como um todo, começando pelos gestores e se estendendo à totalidade do corpo de funcionários.

       A pesquisa Expectativas e Percepções sobre a Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho foi feita em 2015 por uma consultoria com foco no mercado de trabalho, em parceria com a Catho e com o apoio da ABRH.

Lei de Cotas

      A Lei de Cotas prevê que toda empresa com 100 ou mais funcionários deve destinar de 2 a 5% (dependendo do total de empregados) dos postos de trabalho a pessoas com alguma deficiência. De acordo com Georgete, 86% das empresas contratam pessoas com deficiência apenas para cumprir a lei; 2% das que contratam porque valorizam a diversidade; 3% porque acreditam no potencial destas pessoas e 9% demonstram interesse no perfil do candidato.

      Além disso, a maioria dos profissionais de RH afirmam que as pessoas contratadas acabam sofrendo preconceito no próprio ambiente de trabalho, seja por parte dos colegas, gestores ou clientes.

      Segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, existem no Brasil 45,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa  23,92% da população brasileira.

domingo, 1 de maio de 2016

Borboletas criam novas estratégias para escapar de predadores

Exemplar da espécie Heraclides anchisiades capys, que
apresenta semelhanças com a Parides
      Ao longo da evolução, várias espécies de borboletas desenvolveram características como a liberação de toxinas resultante em um gosto desagradável para evitar a predação pelos pássaros. Além disso, estes insetos impalatáveis, acabaram também alardeando sua toxidade por meio da exibição de cores vivas, um sinal de aviso aos predadores sobre o gosto ruim. 

     Por outro lado, as borboletas palatáveis, sob pressão da predação, também desenvolveram táticas de sobrevivência. São mais rápidas, e o padrão de cores indica esse comportamento. 


Parides anchises nephalion, que tem o estilo imitado
pela Heraclides
      As palatáveis e mais lentas seriam, naturalmente, alvos dos predadores. Para sobreviver, elas também, elas imitam as cores das não palatáveis. Ou seja, as borboletas não palatáveis não precisam investir em estratégias de fuga. Podem voar lentamente porque sua defesa é o seu veneno. Já as palatáveis precisam ser rápidas ou imitar aquelas impalatáveis para não serem comidas. Agora, pesquisadores da Universidade de Campinas, a Unicamp, descobriram que nem sempre é isso o que ocorre.

       Os pesquisadores estudaram duas espécies: a Heraclides anchisiades capys e Parides anchises nephalion. A primeira é muito rápida e palatável. Já a segunda, não palatável, é lenta e muito venenosa. Acontece que, apesar das diferenças e de não haver nenhum grau de parentesco, elas são muito parecidas em padrão de coloração. A primeira exibe um padrão de asas parecido com o estilo da Parides, esta uma habitante das regiões tropicais das Américas. Mas isso não é exclusivo da Heraclides, muitas outras imitam a Parides; um exemplo clássico de mimetismo, onde a palatável imita a não palatável e ganha vantagens com isso. Mas de todas que imitam a Parides, a Heraclides é uma das mais rápidas e a que possui a maior distribuição geográfica nas Américas. 

       A Heraclides parece associar o seu padrão a sua coloração à aparência de uma borboleta muito tóxica, como estratégia de defesa para afugentar predadores. A ave que ignorar o padrão de cores tóxicas e tentar predar a Heraclides acabará perseguindo uma borboleta muito rápida e gastando energia sem conseguir alimento. Ao usar o mimetismo para enganar as aves, essa borboleta minimiza ao máximo as chances de predação e pode se voltar à tarefas como alimentação e reprodução. A veloz imita a tóxica e, dessa forma ganha vantagens adaptativas ao associar a sua velocidade a uma característica (a toxicidade) identificada pelas aves como gosto ruim.

       A Parides é uma das borboletas mais venenosas da América tropical. Seu voo é lento e a padronagem se assemelha à veloz Heraclides. Uma vive nos trópicos e a veloz nas Américas prova que último ancestral comum das velozes e palatáveis Heraclides mimetizou a impalatável Parides e a vantagem adaptativa advinda deste mimetismo levou a espécie a se espalhar pelas Américas. E o estudo evidencia que a distribuição geográfica mais limitada da Parides parece sugerir uma outra possibilidade. Uma borboleta muito venenosa imitaria outra muito rápida e de ampla distribuição também para minimizar as chances de predação.

Fonte: Agência Fapesp
Fotos: Ruby-spotted Sweallowtail
          Horacio Alberto Dali - FotoNat